A prorrogação no futebol dura 30 minutos, divididos em dois tempos de 15, com troca de lado e uma pausa de no máximo 1 minuto entre eles. Ela só entra em jogo de mata-mata empatado, e cada competição decide se adota. Persistindo o empate, a vaga sai na disputa de pênaltis.

A prorrogação é o tempo extra que resolve um confronto eliminatório quando os 90 minutos terminam empatados. A final da Copa do Mundo de 2026 foi decidida exatamente assim: a Espanha bateu a Argentina por 1 a 0 no MetLife Stadium, com gol de Ferran Torres já no tempo extra, e levou o bicampeonato.

O formato vem da Lei 7 do IFAB, o órgão que escreve as regras do futebol mundial. Mas quem decide se um torneio terá prorrogação é o regulamento de cada competição — e é aí que Copa do Brasil e Libertadores tomam caminhos opostos, como mostra a tabela mais abaixo.

Quanto Tempo Dura a Prorrogação no Futebol

Infográfico com a linha do tempo de um jogo eliminatório: 45 minutos, acréscimos, intervalo, 45 minutos, acréscimos, prorrogação de dois tempos de 15 e disputa de pênaltis
Do apito inicial aos pênaltis: onde a prorrogação de 30 minutos entra na linha do tempo da partida.

A prorrogação dura 30 minutos, em dois tempos de 15. A Lei 7 das Regras do Jogo determina que os dois períodos sejam iguais e não passem de 15 minutos cada. As equipes trocam de lado no intervalo, e não existe descanso longo: o regulamento prevê apenas uma pausa para hidratação de até 1 minuto.

Na prática, um jogo que vai à decisão máxima tem quatro blocos de tempo. Primeiro os 90 minutos regulamentares, divididos em dois tempos de 45 com intervalo de até 15 minutos. Depois vêm os acréscimos de cada etapa, que compensam paralisações como substituições, atendimentos médicos e checagens do VAR.

Só então entra a prorrogação, com seus próprios 30 minutos e seus próprios acréscimos. Se ninguém desempatar, a vaga vai para os pênaltis. Somando tudo, uma partida eliminatória pode passar de duas horas e meia entre o apito inicial e a última cobrança — bem mais do que os 90 minutos que duram um jogo de futebol comum.

A prorrogação tem intervalo?

Não no sentido tradicional. Entre o primeiro e o segundo tempo da prorrogação os times apenas trocam de lado, sem voltar ao vestiário. A Lei 7 permite uma pausa curta para hidratação, limitada a 1 minuto, o que mantém os jogadores em campo e o cronômetro sob controle do árbitro.

Já entre o fim do tempo normal e o começo da prorrogação existe um intervalo, mas ele também é curto. A pausa serve para reidratação e instruções táticas, e é o momento em que a maioria dos técnicos aproveita a substituição extra prevista nas regras.

Prorrogação e acréscimo são a mesma coisa?

Não, e essa é a confusão mais comum do tema. O acréscimo é a compensação pelo tempo perdido dentro de cada etapa e costuma variar de 1 a 10 minutos, decididos pelo árbitro. A prorrogação são 30 minutos inteiros, fixos, que só existem quando o empate precisa ser desfeito.

Outra diferença decisiva: acréscimo acontece em qualquer partida, inclusive nas de pontos corridos. Prorrogação só existe em mata-mata. Um jogo do Brasileirão pode ter 12 minutos de acréscimo e terminar empatado mesmo assim, porque ali o empate é um resultado válido — cada time leva 1 ponto e a competição segue.

Quando a Prorrogação Acontece

A prorrogação só acontece em confronto eliminatório que termina empatado e cujo regulamento a prevê. Em campeonato de pontos corridos ela não existe, porque o empate já distribui 1 ponto para cada lado. Em mata-mata, alguém precisa avançar — e o regulamento define se o desempate passa pelo tempo extra ou vai direto para os pênaltis.

Empate no jogo único e empate no agregado

Em partida única, a conta é direta: placar igual no fim dos 90 minutos aciona o critério de desempate. Em confronto de ida e volta, o que vale é o placar agregado dos dois jogos, somando gols marcados e sofridos. A prorrogação, quando existe, é disputada no fim da segunda partida, em casa do time que joga a volta.

Vale lembrar que o gol fora de casa deixou de valer como critério nas principais competições. A UEFA aposentou a regra em 2021, e a CONMEBOL já havia feito o mesmo. Sem esse desempate, mais confrontos chegam empatados ao fim da volta — e a prorrogação passou a aparecer com mais frequência do que antes.

Quando o jogo vai direto para os pênaltis

Vários torneios cortaram o tempo extra para aliviar o calendário. Nesses casos, o apito final do tempo normal já leva a partida para a marca da cal. A Copa do Brasil é o exemplo mais forte: o regulamento manda iniciar a disputa de pênaltis em até 10 minutos após o término do jogo, sem qualquer prorrogação.

Prorrogação por Competição: Onde Existe e Onde Foi Abolida

Não existe regra única: o IFAB autoriza a prorrogação, mas cada confederação escolhe se usa. Copa do Mundo, Libertadores e Champions League mantêm os 30 minutos extras. A Copa do Brasil eliminou o tempo extra de todas as fases, inclusive da final, e resolve tudo nos pênaltis.

CompetiçãoO que acontece no empateBase oficial
Copa do Mundo FIFAProrrogação de 2 × 15 min e, se persistir, pênaltisIFAB, Lei 10
Copa LibertadoresDas oitavas em diante, prorrogação de 2 × 15 min e depois pênaltisCONMEBOL, Manual de Clubes
Champions LeagueAgregado empatado leva a 2 × 15 min no jogo de volta e depois pênaltisUEFA, Artigo 21
Copa do BrasilSem prorrogação: pênaltis em até 10 minutos após o apito, inclusive na finalCBF, Artigo 22 do regulamento
Brasileirão Série ANão há mata-mata: o empate vale 1 ponto para cada clubeCBF, pontos corridos
Como cada competição resolve o empate no mata-mata, conforme o regulamento vigente de cada entidade.

O caso brasileiro é o mais radical do continente. O Artigo 22 do Regulamento Específico da Copa do Brasil define cobrança de pênaltis como critério de desempate da primeira à quarta fase e também na nona fase, que é a decisão. O parágrafo único fixa o prazo: a disputa começa em até 10 minutos após o fim da partida.

Na Europa e no restante da América do Sul o desenho é outro. O Artigo 21 do regulamento da UEFA manda jogar dois tempos de 15 minutos quando o agregado termina igual, e só depois recorrer aos pênaltis. A CONMEBOL segue a mesma lógica nas fases eliminatórias da Libertadores, das oitavas de final até a decisão.

O Que Muda em Campo na Prorrogação

A prorrogação não é um jogo novo: cartões, gols e estatísticas da partida continuam valendo. O que muda é o banco. Quando o regulamento da competição permite, cada equipe ganha uma substituição adicional e uma janela extra para usá-la, conforme a Lei 3 do IFAB.

Há um detalhe tático que decide finais. As trocas feitas no intervalo entre o fim do tempo normal e o início da prorrogação, ou no intervalo da própria prorrogação, não consomem janela de substituição. Por isso os técnicos concentram as mexidas nesses dois momentos: o time entra reforçado sem perder uma das paradas disponíveis.

Um jogador expulso segue fora, e o time continua com um a menos pelos 30 minutos extras. Cartões amarelos acumulados na partida também permanecem, então quem já está pendurado joga a prorrogação sob risco de expulsão. Vale conferir o limite de substituições permitidas no futebol antes de contar com o reforço extra.

Gol de ouro e gol de prata: por que acabaram

Entre 1993 e 2004, quem marcasse primeiro na prorrogação encerrava a partida na hora: era o gol de ouro, adotado nas competições da FIFA. O gol de prata, usado por pouco tempo, encerrava o jogo apenas ao fim do primeiro tempo extra, se alguém estivesse na frente.

As duas fórmulas foram abandonadas porque produziram o efeito contrário do esperado. Em vez de estimular o ataque, empurraram os times para a retranca, com medo de perder tudo em um lance. Desde então vale a regra atual: joga-se os 30 minutos completos, e o placar do fim é o que conta.

Prorrogação em Outros Esportes

Quase todo esporte coletivo tem um mecanismo para desfazer empate, mas o formato muda bastante. O basquete usa períodos curtos e repetidos até sair um vencedor. O handebol combina dois blocos de prorrogação antes de recorrer aos tiros de 7 metros. O vôlei simplesmente não precisa: o set decisivo já garante um vencedor.

EsporteComo funciona o tempo extraSe o empate persistir
FutebolDois tempos de 15 minutosDisputa de pênaltis
BasquetePeríodos de 5 minutos, repetidos quantas vezes for precisoNão há empate: joga-se até desempatar
HandebolDois tempos de 5 minutos, com 1 minuto de intervaloNova prorrogação de 2 × 5 e, depois, tiros de 7 metros
VôleiNão existe prorrogaçãoSet decisivo vai a 15 pontos, com 2 de vantagem
Formato do tempo extra em quatro esportes coletivos, segundo as regras oficiais de cada federação.

No basquete, a regra oficial da FIBA prevê períodos extras de 5 minutos aplicados sucessivamente até que a igualdade seja quebrada, o mesmo critério adotado pela NBA. É por isso que existem partidas com três ou quatro prorrogações, algo impossível no futebol — vale comparar com quanto tempo dura um jogo de basquete no tempo normal.

O handebol tem o desenho mais escalonado. Pelas regras da IHF, a primeira prorrogação são dois tempos de 5 minutos com 1 minuto de intervalo; se o empate resistir, joga-se uma segunda prorrogação idêntica após 5 minutos de pausa, e só então vêm os tiros de 7 metros, com cinco cobradores por equipe. O formato aparece detalhado em quanto tempo dura um jogo de handebol.

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Perguntas Frequentes Sobre Prorrogação no Futebol

Quantos minutos tem a prorrogação no futebol?

A prorrogação tem 30 minutos, divididos em dois tempos de 15. A Lei 7 do IFAB determina que os dois períodos sejam iguais e não ultrapassem 15 minutos cada um. Os times trocam de lado no intervalo, sem voltar ao vestiário.

A prorrogação tem intervalo?

Não há intervalo longo. Entre os dois tempos da prorrogação as equipes apenas trocam de lado, e a regra permite uma pausa para hidratação de no máximo 1 minuto. Já entre o fim do tempo normal e o começo da prorrogação existe uma pausa curta, usada para instruções e substituições.

Qual a diferença entre acréscimo e prorrogação?

O acréscimo compensa o tempo perdido dentro de cada etapa da partida e costuma variar de 1 a 10 minutos, definidos pelo árbitro. A prorrogação são 30 minutos inteiros, jogados apenas quando um confronto eliminatório termina empatado. Acréscimo existe em qualquer jogo; prorrogação, só no mata-mata.

A prorrogação também tem acréscimos?

Sim. Cada um dos dois tempos de 15 minutos pode receber acréscimo, pelo mesmo motivo do tempo normal: compensar paralisações como substituições, atendimentos médicos e checagens do VAR. O árbitro sinaliza o tempo adicional ao fim de cada período extra.

Por que a Copa do Brasil não tem prorrogação?

O regulamento da competição eliminou o tempo extra para aliviar o calendário. Pelo Artigo 22, o empate é resolvido na cobrança de pênaltis da primeira à quarta fase e também na final, e o parágrafo único manda iniciar a disputa em até 10 minutos após o apito final.

Quantas substituições podem ser feitas na prorrogação?

Quando o regulamento da competição permite, cada equipe ganha uma substituição adicional e uma janela extra para usá-la. As trocas feitas no intervalo entre o tempo normal e a prorrogação, ou no intervalo da própria prorrogação, não consomem janela de substituição.

O que acontece se o jogo continuar empatado após a prorrogação?

A vaga é decidida na disputa de pênaltis, conforme a Lei 10 do IFAB. Cada equipe indica cinco cobradores e as batidas são alternadas; se a igualdade continuar, a disputa segue em cobranças alternadas até que um time marque e o outro perca.

O gol de ouro ainda existe no futebol?

Não. O gol de ouro encerrava a partida no momento em que alguém marcasse na prorrogação e foi usado nas competições da FIFA entre 1993 e 2004. Junto com o gol de prata, foi abandonado por estimular jogos defensivos, e hoje a prorrogação é sempre disputada por inteiro.

Fontes

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Higor Bissoli é editor responsável pelo Aqui Esportes, portal brasileiro especializado em guias técnicos, regras oficiais e análise estatística de modalidades esportivas. Une há mais de 2 anos sua atuação profissional em edição à paixão pelo esporte para construir uma referência em conteúdo esportivo aprofundado no Brasil. Acompanha esportes desde a adolescência e cobre com profundidade as principais modalidades do calendário internacional: futebol (com cobertura dedicada das Eliminatórias Sul-Americanas e da Copa do Mundo 2026), basquete (NBA e NBB), Fórmula 1, vôlei, tênis, atletismo, MMA, boxe e modalidades olímpicas. Tem interesse particular por dimensões oficiais, regulamentos internacionais e evolução histórica das regras de cada modalidade. Sua abordagem editorial combina pesquisa rigorosa em fontes primárias oficiais (FIFA, FIBA, World Athletics, FIA, COI, NBB, IHF, FIVB e confederações nacionais) com verificação cruzada em fontes secundárias confiáveis. Cada guia passa por revisão pessoal antes da publicação, e atualizações são feitas sempre que regulamentações internacionais sofrem alterações. Situado em Espírito Santo. Para sugestões de pauta, correções factuais ou contato profissional: [email protected]