O cartão vermelho no futebol é a punição máxima do árbitro: expulsa o jogador na hora, a equipe segue com 10 atletas e ninguém entra no lugar dele. Aplica-se direto em falta grave ou após 2 cartões amarelos no mesmo jogo. Atualizado em 2026 conforme Lei 12 da IFAB.
O cartão vermelho mudou a cara do futebol em 1970, quando o inglês Ken Aston propôs cores universais para árbitros e jogadores se entenderem sem barreira de idioma. Hoje, mais de 50 anos depois, ele continua sendo o instrumento mais severo de disciplina dentro de campo. É o único capaz de mudar o placar antes mesmo do gol ser marcado.
Quem leva vermelho deixa o gramado na hora, não pode ser substituído e ainda fica de fora do jogo seguinte por suspensão automática. A regra está na Lei 12 do livro oficial da IFAB (International Football Association Board), o órgão que define as 17 leis do futebol mundial desde 1886. No Brasil, a CBF e a Conmebol seguem essa mesma normativa, com ajustes pontuais para o Campeonato Brasileiro e a Libertadores.
Este guia destrincha os 2 tipos de vermelho, as 7 infrações que justificam a expulsão direta, o que muda na prática quando o time fica com 10 e os casos mais marcantes da história — incluindo o jogador mais expulso de todos os tempos.
Você sabia? O primeiro cartão vermelho da história das Copas do Mundo saiu em 14 de junho de 1974, na Alemanha Ocidental: o chileno Carlos Caszely foi expulso pelo árbitro turco Dogan Babacan no jogo Chile 0×1 Alemanha Ocidental. Antes de 1970, expulsões aconteciam só verbalmente, o que gerava confusão linguística em jogos internacionais.
Índice
O Que é Cartão Vermelho no Futebol?
O cartão vermelho é o sinal de expulsão usado pelo árbitro para tirar um jogador da partida em definitivo. Está descrito na Lei 12 (Faltas e Conduta Antidesportiva) das Regras do Jogo, mantidas pela IFAB desde 1886 e atualizadas anualmente. Quem recebe não volta ao jogo nem pode ser substituído.
Antes da padronização cromática em 1970, a expulsão dependia de avisos verbais e gestos pouco claros do árbitro, o que gerava confusão constante em jogos internacionais por causa da barreira de idioma — o episódio entre Argentina e Inglaterra na Copa de 1966 com o capitão Antonio Rattín é o exemplo mais conhecido desse problema histórico.
O sistema cromático criado pelo inglês Ken Aston resolveu o impasse ao oferecer um sinal visual universal, compreendido por jogadores, comissões técnicas e bilhões de telespectadores ao redor do mundo em qualquer transmissão. Desde então, o vermelho transcendeu o esporte e virou metáfora cultural usada em campanhas da ONU, Premier League e organismos antirracismo para sinalizar qualquer comportamento socialmente inaceitável.
Mostrar o vermelho é prerrogativa exclusiva do árbitro central. Desde a revisão da Lei 12 em 2019/20, a sanção pode ser aplicada a jogadores em campo, substitutos, atletas já substituídos e até membros da comissão técnica. A decisão é tomada ao vivo ou após revisão do VAR, oficializado pela IFAB em 2018 durante a Copa do Mundo da Rússia.
Diferente do cartão amarelo, que serve só como aviso, o vermelho transfere desvantagem numérica imediata: o time punido segue com 10 atletas até o apito final. Não há reposição por reserva, conforme a regra de substituições detalhada na Lei 3. Em decisões por pênaltis, a equipe inicia ainda com 1 cobrador a menos.

Origem do Cartão: Ken Aston e a Copa de 1970
A ideia nasceu em Wembley, durante a Copa do Mundo de 1966. No jogo Argentina × Inglaterra (quartas de final), o árbitro alemão Rudolf Kreitlein expulsou o capitão argentino Antonio Rattín, mas ele não entendeu o aviso verbal e ficou em campo por 10 minutos discutindo. O caos motivou a IFAB a procurar uma solução visual.
O inglês Ken Aston, então presidente do Comitê de Árbitros da FIFA, voltava de carro pra casa quando parou no semáforo da Kensington High Street, em Londres, e teve o insight: amarelo significa atenção, vermelho significa pare. A proposta estreou na Copa do México de 1970 e generalizou-se mundialmente em poucos anos. Aston também é creditado por desenhar o sistema do 4° árbitro, usado em todas as competições profissionais hoje.
Tipos de Cartão Vermelho: Direto vs Acúmulo
Existem dois tipos de cartão vermelho no futebol: o direto, aplicado por infração grave única, e o por acúmulo, resultado de dois amarelos na mesma partida. Ambos terminam em expulsão, mas a suspensão automática varia conforme a competição. A regra está nos artigos 12.3 e 12.4 da Lei 12 da IFAB.
Vermelho Direto
O vermelho direto é mostrado quando o jogador comete uma única falta grave o suficiente para justificar expulsão sem aviso prévio. A Lei 12 lista 7 categorias específicas: agressão, jogada violenta, cuspir, mão impedindo gol claro, falta em última oportunidade de gol, ofensa verbal grave e segunda infração após advertência verbal. O árbitro pode aplicá-lo no 1° minuto ou no 90°, independente de o jogador ter ou não recebido amarelo antes.
No Campeonato Brasileiro Série A de 2024, foram registrados aproximadamente 287 vermelhos diretos em 380 partidas, média de 0,75 por jogo conforme balanços da CBF. A suspensão padrão é de 1 partida, mas pode chegar a 12 jogos em casos de agressão grave ou conduta discriminatória, pena máxima aplicada pelo TJD/STJD.
Vermelho por 2 Amarelos (Acúmulo na Partida)
O acúmulo acontece quando o jogador recebe o segundo cartão amarelo na mesma partida. O árbitro mostra o amarelo, em seguida o vermelho, e a expulsão é confirmada. Cada amarelo isolado também conta para suspensão por acúmulo entre rodadas — no Brasileirão, 3 amarelos em jogos diferentes geram 1 jogo de suspensão automática.
Diferente do direto, o vermelho por acúmulo costuma render apenas 1 partida de suspensão na rodada seguinte, sem agravantes do STJD na maioria dos casos. A confusão entre os 2 tipos é frequente: tecnicamente são sanções diferentes, apesar do efeito imediato em campo ser idêntico — o time perde 1 dos seus 11 jogadores e segue até o final com desvantagem numérica.

7 Infrações Que Resultam em Expulsão (Lei 12 IFAB)
A Lei 12 da IFAB define 7 categorias de conduta que obrigam o árbitro a mostrar o vermelho direto. Essas infrações foram revisadas em 2019/20 e atualizadas no ciclo 2024/25, cobrindo desde violência física até ofensas discriminatórias. O texto oficial está no documento Laws of the Game, atualizado anualmente em julho.
- Jogada violenta na disputa da bola — carrinhos de chuteira alta no peito ou cabeça do adversário, entradas com os 2 pés ou força excessiva que coloca a integridade física em risco.
- Conduta violenta fora da disputa — agressão a oponente, colega de equipe, árbitro ou qualquer pessoa em campo, mesmo com a bola longe da jogada.
- Cuspir — em qualquer pessoa dentro da área de jogo, infração considerada uma das mais graves desde a revisão de 2019/20.
- Mão intencional impedindo gol — tocar deliberadamente a bola com a mão para evitar gol ou oportunidade clara, categorizado pela FIFA como DOGSO (Denying an Obvious Goal-Scoring Opportunity).
- Falta em última oportunidade de gol — derrubar adversário com clara chance de marcar, sem disputa real pela bola, dentro ou fora da grande área.
- Ofensa verbal ou gestual grave — insultos, ameaças e qualquer manifestação discriminatória (racial, religiosa, de gênero ou orientação sexual), com pena agravada em todas as confederações desde 2020.
- Segundo cartão amarelo na mesma partida — qualquer infração que justifique nova advertência após o jogador já ter recebido 1 amarelo, gerando vermelho por acúmulo.
O caso mais lembrado do item 4 aconteceu em 2 de julho de 2010, nas quartas de final da Copa do Mundo da África do Sul: Luis Suárez, então no Uruguai, espalmou uma bola que entrava no gol contra Gana aos 49 minutos da prorrogação. Asamoah Gyan perdeu o pênalti subsequente e o Uruguai avançou nos pênaltis. Suárez foi expulso e cumpriu apenas 1 jogo de suspensão — a FIFA aplicou pena adicional somente por suspeita de comemoração excessiva, não pela infração em si.

As 7 categorias da Lei 12 não são exaustivas e o árbitro mantém autoridade discricionária para enquadrar uma infração como conduta antidesportiva grave mesmo que ela não se encaixe perfeitamente em nenhum dos itens explícitos — essa interpretação subjetiva é uma das principais fontes de polêmica em jogos de alto nível como Champions League e Copa Libertadores.
As regras atuais de aplicação estão descritas em detalhe no texto oficial da Lei 12 publicado pela IFAB, revisado anualmente em julho conforme o calendário do Annual Business Meeting realizado tradicionalmente em Belfast. A revisão do ciclo 2024/25 adicionou diretrizes específicas para conduta da comissão técnica, ampliando explicitamente o escopo de quem pode receber o vermelho.
Consequências: Expulsão, 10 Jogadores e Suspensão Automática
Após o cartão vermelho, o jogador expulso deixa o campo imediatamente e a equipe segue com 10 atletas. A suspensão automática é de 1 partida na rodada seguinte, podendo ser ampliada pelo TJD/STJD em casos graves. O treinador também precisa redesenhar a estratégia tática em campo no mesmo momento.
A presença de 1 jogador a menos altera completamente a dinâmica da partida e força reorganização tática imediata, especialmente em sistemas posicionais como o 4-3-3 ou o 3-5-2 que dependem de cobertura entre setores defensivos e meio-campo. Estudos da Opta Sports analisando o Campeonato Inglês 2023/24 mostraram que equipes que sofrem expulsão no 1° tempo têm cerca de 73% mais chances de derrota e marcam, em média, 0,42 gol a menos no restante do jogo. Apesar disso, há casos clássicos de comebacks com 10 — o Atlético de Madrid venceu o Real Madrid por 2×1 em outubro de 2024 mesmo expulsando Antoine Griezmann aos 65 minutos do segundo tempo.
Como o tempo restante de jogo influencia diretamente, expulsões nos primeiros 30 minutos costumam ser bem mais danosas que perto do apito final. A suspensão automática do expulso vale para o jogo imediatamente seguinte na mesma competição, mas não impede que o atleta participe de outras provas — por exemplo, expulso no Brasileirão pode jogar a Libertadores na mesma semana.
Tabela Comparativa: Amarelo × Vermelho
| Critério | Cartão Amarelo | Cartão Vermelho |
|---|---|---|
| Função | Advertência | Expulsão imediata |
| Substituição permitida | Sim | Não |
| Acúmulo entre rodadas | 3 amarelos = 1 jogo | Suspensão automática |
| Jogos de suspensão | 1 jogo (após 3 amarelos) | 1 a 12 jogos (Brasileirão) |
| Revisão pelo VAR | Só em erro claro | Sim, em todas decisões |
Casos Famosos: Suárez 2010, Zidane 2006 e Sergio Ramos
Três cartões vermelhos entraram para a história do futebol mundial por mudarem finais e narrativas: a cabeçada de Zidane em Materazzi (Copa 2006), a mão de Suárez contra Gana (Copa 2010) e o recorde de expulsões de Sergio Ramos (28 na carreira). Cada caso ilustra uma categoria diferente da Lei 12.
A final da Copa do Mundo de 2006 entre Itália e França terminou com um dos vermelhos mais simbólicos da história. Aos 110 minutos da prorrogação, no Olympiastadion de Berlim, o capitão francês Zinedine Zidane deu uma cabeçada no peito do italiano Marco Materazzi após troca verbal — o lance foi inicialmente perdido pelo árbitro argentino Horacio Elizondo, que aplicou o vermelho após consulta com o 4° árbitro Luis Medina Cantalejo. A Itália venceu nos pênaltis e Zidane se aposentou no mesmo jogo.
O zagueiro espanhol Sergio Ramos é o jogador com mais cartões vermelhos da era moderna: 28 expulsões em 836 jogos oficiais até abril de 2025, segundo dados consolidados pela Wikipedia a partir das estatísticas de La Liga, Champions League e seleção espanhola. Só na La Liga ele acumulou 20 vermelhos — recorde absoluto do campeonato. Superou a marca anterior de Pablo Alfaro (19) em fevereiro de 2017, ainda atuando pelo Real Madrid.
O ranking histórico de expulsões reflete não apenas estilos de jogo agressivos, mas também a longevidade do atleta de elite no esporte — Ramos disputou mais de 836 partidas profissionais até abril de 2025, longevidade que estatisticamente amplia a probabilidade de acumular cartões vermelhos ao longo da carreira em diferentes competições e clubes.
Outros zagueiros na lista de mais expulsos do futebol europeu incluem o italiano Paolo Montero (16 vermelhos na Serie A) e o galês Ben Thatcher (15 cartões na Premier League), todos defensores centrais ou laterais que jogavam em sistemas de marcação aproximada e contato físico constante. O perfil do recordista raramente é de atacante: posições defensivas concentram mais infrações violentas pela natureza da disputa direta pela bola próxima da grande área.
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Perguntas Frequentes Sobre Cartão Vermelho
Quem inventou o cartão vermelho no futebol?
O inglês Ken Aston, presidente do Comitê de Árbitros da FIFA, criou o sistema em 1966 inspirado nos semáforos da Kensington High Street, em Londres. A ideia surgiu após a confusão na expulsão de Antonio Rattín no jogo Argentina × Inglaterra da Copa de 1966 — Rattín não entendeu a ordem verbal do árbitro alemão Rudolf Kreitlein. Os cartões estrearam oficialmente na Copa do México de 1970.
Cartão vermelho direto suspende por quantos jogos?
Por padrão, 1 jogo de suspensão automática na rodada seguinte da mesma competição. Em casos graves — agressão, conduta discriminatória ou ofensa ao árbitro —, o STJD pode ampliar a pena para 4, 8 ou até 12 partidas. O recorde no Brasileirão é de 360 dias aplicado em 2018 a um atleta por conduta racista.
Pode entrar substituto após cartão vermelho?
Não. A Lei 3 da IFAB proíbe substituir um jogador expulso — o time segue com 10 atletas (ou menos) até o final da partida. A única exceção parcial é quando a expulsão acontece com o goleiro: outro goleiro pode entrar, mas o time precisa tirar um jogador de linha para abrir a vaga, mantendo a desvantagem numérica.
Jogador expulso pode ficar no banco de reservas?
Não. A Lei 12 determina que o expulso deixe a área técnica imediatamente após a apresentação do vermelho, indo para o vestiário ou arquibancada conforme regra da competição. Permanecer próximo ao campo pode gerar nova punição via súmula, incluindo multa e suspensão adicional.
Qual jogador tem mais cartões vermelhos da história?
O zagueiro espanhol Sergio Ramos, com 28 expulsões em 836 jogos oficiais até abril de 2025, somando Real Madrid, PSG, Sevilla e Seleção Espanhola. Só na La Liga ele acumulou 20 vermelhos, recorde absoluto da competição. Superou a marca anterior de Pablo Alfaro (19) em fevereiro de 2017.
O que acontece se o goleiro toma vermelho?
O time pode colocar outro goleiro no lugar dele, mas precisa tirar um jogador de linha para abrir a vaga — ou seja, segue com 10 atletas. Se a equipe já fez todas as substituições permitidas (5 por jogo desde 2020), um jogador de linha precisa improvisar como goleiro, vestindo a camisa colorida diferente. Casos famosos: David Luiz no PSG e Lúcio na Inter de Milão.
Cartão vermelho dá direito a recurso?
Sim, no Brasil o atleta pode recorrer ao TJD (Tribunal de Justiça Desportiva) e, em última instância, ao STJD, com prazo de 2 dias úteis após a publicação da súmula. Recursos costumam ser aceitos quando há erro factual claro do árbitro — caso contrário, a decisão original prevalece e a suspensão é cumprida normalmente. Em competições FIFA, o recurso vai ao Comitê Disciplinar do órgão.
Por que os cartões são vermelho e amarelo?
Ken Aston se inspirou diretamente nos semáforos de trânsito de Londres em 1966: amarelo para atenção e vermelho para parar. As cores foram escolhidas pela alta visibilidade no gramado e pelo significado universal — qualquer torcedor ou jogador, independente do idioma, entende o sinal. A aplicação estreou na Copa do México de 1970.
Fontes
- Wikipedia — Cartão vermelho (origem, Ken Aston, recorde de Sergio Ramos)
- IFAB — Law 12: Fouls and Misconduct (texto oficial 2025/26)



