Como funciona o VAR no futebol brasileiro? O VAR (Video Assistant Referee) é o sistema oficial de arbitragem por vídeo adotado pela CBF desde 2019. Ele permite que árbitros revisem decisões polêmicas usando múltiplas câmeras em tempo real — intervindo em exatamente 5 categorias de lances, segundo o protocolo IFAB.

Definição oficial CBF

O VAR é operado pela Comissão de Arbitragem da CBF, que publica relatórios de todas as intervenções do sistema. A central de vídeo funciona no Rio de Janeiro, com árbitros especializados em plantão durante todas as partidas do Brasileirão.

Objetivo principal do VAR

O VAR no futebol brasileiro tem como missão corrigir apenas erros claros e óbvios — não opiniões subjetivas da arbitragem. O critério “claro e óbvio” significa que qualquer observador que assista ao vídeo identificaria o erro sem necessidade de interpretação.


Quando o VAR Começou no Brasil

O VAR no futebol brasileiro chegou em 2019, quando a CBF implementou o sistema em todas as 380 partidas do Brasileirão Série A — tornando o Brasil pioneiro da América do Sul. Antes disso, o sistema havia sido testado na Copa do Brasil 2018 e na Copa do Mundo da Rússia, onde a FIFA registrou 455 intervenções em 64 jogos.

O Video Assistant Referee foi introduzido no Brasil de forma gradual pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). A primeira experiência aconteceu em , na final do Campeonato Pernambucano, entre Sport e Salgueiro.

Em , a CBF implementou o VAR nas quartas de final da Copa do Brasil. A consolidação definitiva veio em , quando o Brasileirão Série A adotou o sistema em todas as 380 partidas — o primeiro jogo foi São Paulo 2×0 Botafogo, na 1ª rodada. Até 2025, a CBF acumula mais de 800 relatórios oficiais de intervenção por temporada, publicados na plataforma da confederação.

O custo de operação é bancado integralmente pela CBF, que mantém árbitros especializados em escala de plantão durante cada rodada do campeonato.

Cronologia do VAR no futebol brasileiro

2017: Primeira experiência no Brasil na final do Campeonato Pernambucano, entre Sport e Salgueiro.

2018: CBF implementa o VAR nas quartas de final da Copa do Brasil.

2019: Brasileirão Série A adota o VAR em todas as 380 partidas. Primeiro jogo: São Paulo 2×0 Botafogo.

2025: VAR disponível em todas as rodadas do Brasileirão Série A e B, com custo bancado pela CBF.

Por que o VAR chegou ao Brasil?

A implementação seguiu o sucesso na Copa do Mundo de 2018 na Rússia, onde o VAR foi utilizado pela primeira vez em um Mundial. A CBF propôs oficialmente o uso em 2017, após pressão de clubes e torcidas por maior justiça nas decisões arbitrais. Segundo a FIFA, o índice de decisões corretas subiu de 93% (sem VAR) para 99,3% (com VAR) na Copa de 2018.


5 Situações que o VAR Pode Revisar

O VAR pode intervir em exatamente 5 situações: (1) gols, (2) pênaltis, (3) cartões vermelhos diretos, (4) identidade equivocada do jogador punido e (5) offside ou toque de mão em lances de gol ou pênalti. Fora dessas 5 categorias, o árbitro de campo não pode ser chamado ao monitor.

As 5 situações revisáveis pelo VAR no futebol brasileiro
#SituaçãoQuando o VAR intervémExemplo real
1GolOffside, falta ou toque de mão no lanceGol invalidado por impedimento de 1 cm detectado pelo semi-automatizado
2PênaltiFalta dentro/fora da área ou simulaçãoContato fora da área marcado como pênalti revertido pelo VAR
3Cartão vermelhoJogo brusco grave ou conduta violentaCotovelada fora do campo de visão do árbitro identificada pelo vídeo
4IdentidadePunição aplicada ao jogador erradoCartão dado ao nº10 quando a falta foi do nº8
5Offside/toque de mãoPosição irregular ou mão antinatural em gol/pênaltiGol anulado por impedimento no início do lance

As 5 situações revisáveis pelo VAR foram definidas pelo IFAB (International Football Association Board) e adotadas pela CBF conforme o protocolo vigente desde a Copa do Mundo .

Segundo dados oficiais da CBF, na temporada 2024 do Brasileirão Série A o VAR realizou 1.247 intervenções em 380 partidas — média de 3,28 revisões por jogo.

Os gols foram a categoria mais revisada (41% das intervenções), seguida por pênaltis (33%) e cartões vermelhos (18%). A categoria “identidade equivocada” é a mais rara, representando menos de 2% dos casos.

O árbitro de campo tem autonomia para discordar da sugestão do VAR e manter sua decisão original, exceto quando o erro for classificado como “claro e óbvio” — critério que a CBF define como identificável por qualquer observador que assista ao vídeo sem necessidade de interpretação subjetiva.

1. Gols (validar ou invalidar)

O VAR verifica se um gol é válido analisando: impedimento na jogada do gol, faltas cometidas antes do gol, toque de mão do atacante na bola, e se a bola saiu completamente do campo.

2. Penalidades (marcar ou cancelar)

Conforme a Regra 12 FIFA/IFAB 2025/26, o VAR analisa contato real dentro da área, simulação, local exato da infração e toque de mão deliberado.

3. Cartão vermelho direto

O VAR pode revisar expulsões por jogo brusco grave, conduta violenta e linguagem ou gestos ofensivos. Cartões amarelos e segundas advertências não são revisáveis pelo VAR.

4. Erro de identidade de jogador

Quando o árbitro aplica cartão ao jogador errado, o VAR identifica o infrator real e solicita a correção da punição — transferindo o cartão para quem efetivamente cometeu a falta.

5. Offside e toque de mão em gol ou pênalti

Para infrações por toque de mão, o VAR verifica se o jogador ampliou o corpo de forma antinatural. Para offside, avalia a posição no exato momento do passe — não do chute ou do gol.


Como Funciona o Protocolo do VAR

O protocolo VAR segue 3 etapas obrigatórias: (1) a equipe de vídeo analisa o lance em até 60 segundos; (2) o árbitro de vídeo comunica ao árbitro de campo se há erro claro e óbvio; (3) o árbitro de campo decide se vai ao monitor (OFR) ou acata a sugestão remotamente. O tempo médio de análise no Brasileirão 2024 foi de 47 segundos.

O protocolo oficial do VAR no Brasil segue as diretrizes do IFAB e é regulamentado pela CBF por meio do Manual de Arbitragem VAR, atualizado anualmente. Quando ocorre um lance revisável, a equipe de vídeo — composta por 3 árbitros especializados na central do Rio de Janeiro — analisa o lance sob múltiplos ângulos e velocidades.

Segundo relatórios da CBF, o tempo médio de análise no Brasileirão foi de 47 segundos. Identificado erro claro e óbvio, o VAR comunica ao árbitro de campo por rádio.

O árbitro então pode: (a) reverter a decisão remotamente, sem ir ao monitor — o que ocorre em 62% dos casos de intervenção; ou (b) ir ao monitor para o OFR (On-Field Review), em 38% dos casos, geralmente quando há dúvida sobre contato físico.

O telão do estádio deve exibir a justificativa da decisão ao público, conforme determinação da CBF desde 2022.

O que é o OFR (On-Field Review)?

O OFR acontece quando o árbitro precisa ir ao monitor de campo para rever o lance pessoalmente. É usado em cerca de 38% dos casos de intervenção — geralmente em lances de contato físico duvidoso ou situações que exigem interpretação do árbitro.

O árbitro pode ignorar o VAR?

Sim. O árbitro de campo tem a palavra final. Se a sugestão do VAR não for considerada um erro “claro e óbvio”, o árbitro pode manter sua decisão. Contudo, após uma revisão no monitor (OFR), a maioria dos árbitros reverte a decisão original — isso ocorre em 94% das revisões no monitor no Brasileirão, segundo dados CBF 2024.


VAR no Brasileirão 2025: O Que Mudou

No Brasileirão , a CBF implementou 3 mudanças no protocolo VAR: tempo máximo de análise reduzido de 3 para 2 minutos, exibição obrigatória no telão da justificativa da decisão em todos os estádios com mais de 20 mil lugares, e expansão do sistema para a Série B a partir da 15ª rodada.

A temporada 2025 trouxe atualizações significativas no uso do VAR, aprovadas pelo Conselho Técnico da CBF em janeiro de 2025. A principal mudança foi a redução do tempo máximo de análise de 3 para 2 minutos — resposta às críticas de que o VAR prolongava excessivamente as partidas.

Pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) publicada em mostrou que cada intervenção do VAR acrescentava em média 2,7 minutos ao tempo total de uma partida do Brasileirão. Outra novidade é a exibição obrigatória no telão da justificativa da decisão — não apenas “gol confirmado”, mas o critério usado (ex: “offside detectado na linha do ombro esquerdo”).

A CBF também expandiu o VAR para o Campeonato Brasileiro Feminino A1, tornando-se a primeira liga feminina da América do Sul com o sistema em tempo integral a partir de 2025.

Novas regras de toque de mão em 2025

A atualização IFAB 2025/26 modificou o critério de toque de mão: agora, o contexto do lance é considerado — um toque de mão involuntário que não gera vantagem direta não deve mais ser penalizado. O VAR aplica esse critério desde a 1ª rodada do Brasileirão 2025.

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Perguntas Frequentes sobre VAR no Futebol Brasileiro

O VAR pode revisar qualquer lance?

Não. O VAR só pode revisar 5 categorias específicas: gols, pênaltis, cartões vermelhos diretos, identidade de jogadores e situações de offside ou toque de mão em lances de gol ou pênalti. Faltas comuns, laterais, escanteios e cartões amarelos não são revisáveis.

Quanto tempo o VAR pode analisar um lance?

No Brasileirão 2025, o tempo máximo é 2 minutos — reduzido de 3 minutos pela CBF. Na prática, a média é de 47 segundos por análise. A Copa do Brasil e competições estaduais ainda seguem o protocolo anterior de 3 minutos.

O árbitro é obrigado a aceitar a sugestão do VAR?

Não. O árbitro de campo tem autonomia total. O VAR apenas informa a existência de erro claro e óbvio — a decisão final é sempre do árbitro principal. Após ir ao monitor (OFR), porém, 94% dos árbitros reverteram a decisão original no Brasileirão 2024, segundo a CBF.

O VAR funciona na Série B?

Sim, desde a 15ª rodada do Brasileirão Série B 2025 — conforme deliberação do Conselho Técnico da CBF de janeiro de 2025. Antes disso, o sistema era exclusivo da Série A, Copa do Brasil e Copa Sul-Americana quando disputada por clubes brasileiros.

Como o VAR comunica com o árbitro?

Por rádio em canal exclusivo e criptografado entre o árbitro de vídeo (na central do Rio de Janeiro) e o árbitro de campo. O árbitro de campo usa um fone sem fio e pode solicitar explicações adicionais antes de tomar sua decisão.

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