O salto com vara é a prova do atletismo em que o atleta usa uma vara flexível de fibra de carbono para transpor um sarrafo suspenso a vários metros do solo. O recorde mundial masculino é de 6,31 m, do sueco Armand Duplantis (março de 2026); o feminino, de 5,06 m, da russa Yelena Isinbayeva. Cada atleta tem três tentativas em cada altura.
Poucas provas combinam tanta velocidade, força e coragem quanto o salto com vara. O atleta corre a quase 30 km/h carregando uma vara de mais de quatro metros, finca a ponta numa caixa fixada no solo e se catapulta para o alto, girando o corpo para passar de costas por cima do sarrafo. É o salto mais alto do atletismo e uma das provas do atletismo mais técnicas dos Jogos Olímpicos.
Disputado nos Jogos Olímpicos desde Atenas 1896 — e no feminino desde Sydney 2000 — o salto com vara evoluiu da vara rígida de bambu para os modelos de fibra de vidro e carbono, que armazenam energia como uma mola. Este guia explica as regras, as quatro fases da técnica, os equipamentos, as medidas oficiais e os recordes que transformaram Armand Duplantis no maior nome da história da modalidade.
Você sabia? Não é a vara que faz o atleta subir — é a velocidade da corrida. A vara apenas converte a energia horizontal do sprint em altura, dobrando até quase 90 graus e devolvendo essa energia como uma mola. Por isso os melhores saltadores também são velocistas de elite, capazes de correr os 100 m em menos de 11 segundos.
Índice
O Que é o Salto com Vara?
O salto com vara é uma prova de campo do atletismo na qual o competidor usa uma vara longa e flexível para ultrapassar um sarrafo horizontal posicionado a vários metros de altura. Vence quem transpõe a maior marca sem derrubar o sarrafo, dispondo de três tentativas em cada altura antes de ser eliminado.
É classificada como prova de salto, ao lado do salto em altura, do salto em distância e do salto triplo, mas se diferencia por usar um implemento — a vara — para ganhar altura. O movimento exige uma combinação rara de qualidades: velocidade de velocista para a corrida, força de ginasta para a inversão do corpo e coordenação fina para sincronizar o encaixe da vara com o impulso. Em competição, a barra sobe progressivamente; quem falhar três vezes seguidas na mesma altura está fora, e o último atleta a permanecer com um salto válido vence.
Regras do Salto com Vara
A regra central é simples: o atleta tem três tentativas para transpor cada altura sem derrubar o sarrafo. Ele pode optar por passar uma altura e esperar por uma marca maior, mas acumula as tentativas falhadas. Vence quem ultrapassar a maior altura; em caso de empate, ganha quem usou menos tentativas.
As regras oficiais da World Athletics definem o que invalida um salto e protegem a integridade da prova:
- O sarrafo não pode cair: tocar a barra é permitido, mas derrubá-la anula a tentativa.
- A ponta da vara deve ser encaixada na caixa de apoio; o atleta não pode mover a mão de cima para um ponto mais alto da vara depois de deixar o solo.
- Três falhas consecutivas na mesma altura eliminam o competidor da prova.
- O atleta pode usar luvas e substâncias aderentes nas mãos para firmar a pegada na vara.
- Cada saltador tem um tempo limite (em geral um minuto) para iniciar a tentativa após ser chamado.
As 4 Fases da Técnica do Salto com Vara

A técnica do salto com vara se divide em quatro fases encadeadas: corrida de aproximação, encaixe e impulsão, inversão e rotação, e extensão e transposição. Cada fase dura frações de segundo e qualquer erro de tempo derruba o sarrafo, o que torna a prova uma das mais difíceis de dominar no atletismo.
1. Corrida de aproximação
O atleta acelera por uma pista de 16 a 20 passadas, atingindo cerca de 30 km/h com a vara apontada para a frente. É a mesma lógica de velocidade da fase de corrida do salto em distância: quanto mais rápida a aproximação, mais energia a vara terá para devolver em forma de altura.
2. Encaixe e impulsão
No último passo, o saltador finca a ponta da vara na caixa de apoio e impulsiona o corpo para cima, transferindo a energia da corrida para a vara. A vara dobra acumulando energia elástica, enquanto o atleta sai do solo com o peso suspenso pelos braços.
3. Inversão e rotação
Com o corpo na vertical, o atleta puxa os quadris para cima e gira de cabeça para baixo, alinhando o tronco ao longo da vara. É o momento que mais exige força de núcleo e coragem, já que o saltador fica de ponta-cabeça a mais de quatro metros do solo enquanto a vara devolve a energia armazenada.
4. Extensão e transposição
Quando a vara se estica de volta, ela arremessa o atleta para o alto. Ele empurra a vara para longe, contorna o sarrafo com o quadril e as pernas — diferentemente do salto em altura, em que não há implemento — e cai de costas no colchão. Soltar a vara cedo demais ou tarde demais é o erro mais comum dos iniciantes.
Equipamentos e Medidas da Prova
O salto com vara depende de quatro equipamentos oficiais: a vara, a pista de corrida, a caixa de apoio e o conjunto de sarrafo e colchão. As medidas são padronizadas pela World Athletics para garantir segurança e igualdade entre os atletas em qualquer competição do mundo.
| Equipamento | Medida / Material | Observação |
|---|---|---|
| Vara | 4 a 5,2 m, fibra de vidro ou carbono | Flexível; armazena e devolve energia |
| Pista de corrida | Mínimo de 45 m | Permite atingir a velocidade máxima |
| Caixa de apoio | 1 m de comprimento; 60 cm a 15 cm de largura | Encaixe da ponta da vara no solo |
| Sarrafo e colchão | Sarrafo de 4,5 m, até 2,26 kg | Colchão amortece a queda de costas |
Recordes e Maiores Atletas do Salto com Vara
O recorde mundial masculino é de 6,31 m, do sueco Armand Duplantis, alcançado em 12 de março de 2026, em Uppsala — a 15ª vez que ele superou a própria marca. O recorde feminino, de 5,06 m, pertence à russa Yelena Isinbayeva desde 2009. No Brasil, o grande nome é Thiago Braz, ouro olímpico no Rio 2016 com 6,03 m.
Antes de Duplantis, o ucraniano Sergei Bubka dominou a prova por décadas, batendo 35 recordes mundiais e sendo o primeiro a passar dos 6 metros, em 1985. Na esteira de Bubka vieram o francês Renaud Lavillenie, campeão olímpico em Londres 2012, e nomes femininos como a norte-americana Katie Moon. Duplantis, nascido em 1999, levou a modalidade a outro patamar: cruzou a marca de 6 m mais vezes do que qualquer atleta na história e venceu os ouros olímpicos de Tóquio 2020 e Paris 2024.
Da Vara de Bambu à Fibra de Carbono: A História
O salto com vara nasceu como meio prático de transpor valas e córregos antes de virar esporte. Nas primeiras competições do século XIX, as varas eram de madeira rígida e depois de bambu, que quebravam com facilidade e limitavam a altura. A entrada da prova nos Jogos Olímpicos de Atenas 1896 a consolidou como esporte de elite no atletismo masculino.
A revolução veio nos anos 1950, com as varas de fibra de vidro e, mais tarde, de fibra de carbono. Diferentemente do bambu, esses materiais dobram sem quebrar e devolvem a energia acumulada, o que disparou os recordes década após década. A prova feminina só entrou no programa olímpico em Sydney 2000, mais de um século depois da masculina, e desde então atletas como Isinbayeva elevaram o nível técnico a marcas antes consideradas impossíveis.
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Perguntas Frequentes Sobre o Salto com Vara
Qual o recorde mundial do salto com vara?
O recorde mundial masculino é de 6,31 m, do sueco Armand Duplantis, alcançado em março de 2026, em Uppsala. O recorde feminino é de 5,06 m, da russa Yelena Isinbayeva, marca estabelecida em 2009 e ainda não superada ao ar livre.
Quem é o maior brasileiro no salto com vara?
Thiago Braz é o maior nome brasileiro da modalidade. Ele conquistou o ouro olímpico no Rio 2016 com a marca de 6,03 m, que na época foi recorde olímpico, e mantém o recorde nacional da prova.
Quantas tentativas o atleta tem em cada altura?
Cada atleta tem três tentativas para transpor uma determinada altura. Se falhar nas três, é eliminado. O competidor pode optar por não saltar uma altura e esperar por uma marca maior, mas as tentativas falhadas continuam contando.
De que material é feita a vara?
As varas modernas são feitas de fibra de vidro ou de fibra de carbono. Esses materiais dobram sem quebrar e devolvem a energia acumulada na corrida, funcionando como uma mola. No passado, as varas eram de madeira e de bambu, que limitavam a altura.
Qual o tamanho da vara no salto com vara?
As varas têm entre 4 e 5,2 metros de comprimento, variando conforme a altura, o peso e a força do atleta. Não há um modelo único: cada saltador escolhe a vara com a rigidez e o tamanho que melhor se adaptam ao seu estilo.
Desde quando o salto com vara é olímpico?
O salto com vara masculino faz parte dos Jogos Olímpicos desde a primeira edição moderna, em Atenas 1896. A prova feminina só foi incluída no programa olímpico em Sydney 2000, mais de um século depois da masculina.
Como o sarrafo sobe durante a competição?
O sarrafo começa em uma altura inicial e sobe progressivamente em incrementos definidos pela organização. Os atletas escolhem em qual altura entram na prova; conforme as marcas aumentam, os competidores vão sendo eliminados até restar o vencedor.
Qual a diferença entre salto com vara e salto em altura?
No salto com vara, o atleta usa um implemento — a vara — para se catapultar e alcança alturas acima de 6 metros. No salto em altura, não há implemento: o atleta transpõe o sarrafo apenas com a impulsão das pernas, em marcas próximas de 2,4 metros.



