O salto em altura é a prova vertical do atletismo em que o atleta transpõe um sarrafo com chamada de um único pé e 3 tentativas por altura. A técnica dominante é o Fosbury Flop, executado em 4 fases. Os recordes mundiais são de 2,45 m (Javier Sotomayor, 1993) e 2,10 m (Yaroslava Mahuchikh, 2024).
O salto em altura é uma das quatro provas de salto do atletismo e a única, junto ao salto com vara, em que se mede altura em vez de distância. Está no programa olímpico desde Atenas 1896 no masculino e Londres 1948 no feminino.
A prova é simples de entender e difícil de executar: o atleta corre, impulsiona com um pé só e precisa passar por cima de um sarrafo de 4 metros sem derrubá-lo. Cada altura dá três chances, e três falhas consecutivas encerram a participação.
Índice
As 4 fases do salto em altura (Fosbury Flop)
O Fosbury Flop se divide em 4 fases: corrida de aproximação, chamada, suspensão e transposição, e recepção. Cada uma tem mecânica própria, e saltadores de elite treinam as quatro isoladamente antes de integrá-las num movimento só.
- Corrida de aproximação — 8 a 12 passos em formato de J: os primeiros 4 a 6 em linha reta para acelerar, os últimos 4 a 5 em curva. A curva cria a inclinação centrípeta que gera o momento angular do giro. A velocidade na chamada fica entre 7,0 e 7,5 m/s na elite.
- Chamada — impulso com um único pé, em geral o externo em relação ao sarrafo, com elevação vigorosa do joelho livre. O ângulo típico é de 15° a 20° em relação à barra, e a força de impulsão chega a 2,5 a 3,5 vezes o peso corporal.
- Suspensão e transposição — o corpo gira e fica de costas, arqueado em U invertido: quadris altos, cabeça e pernas pendentes. Quando o quadril passa a barra, as pernas são jogadas para cima. A fase inteira dura de 0,4 a 0,6 segundo.
- Recepção — a queda é de costas no colchão, com os ombros distribuindo o impacto e os joelhos dobrados antes do contato. Só é segura por causa da espuma de alta densidade; antes dos anos 1960, saltar assim seria perigoso demais.

A vantagem biomecânica do Flop está exatamente na terceira fase. Como o corpo se arqueia, o centro de gravidade do atleta chega a passar por baixo do sarrafo enquanto as partes do corpo o transpõem uma de cada vez. Nas técnicas anteriores, o centro de massa precisava subir acima da barra, o que custava energia para a mesma altura vencida.

Regras oficiais do salto em altura
As regras são da World Athletics e valem em Olimpíadas, Mundiais, Diamond League e Continental Tour. As quatro principais: 3 tentativas por altura, chamada com um pé só, sarrafo derrubado é falha e é proibido passar por baixo da barra.
| Regra | Como funciona |
|---|---|
| Tentativas | 3 por altura anunciada; 3 falhas consecutivas eliminam o atleta da prova |
| Chamada | Obrigatoriamente com um único pé — impulsionar com os dois é falha |
| Sarrafo | Falha só quando a barra cai dos suportes; oscilar sem cair é salto válido |
| Incremento | O sarrafo sobe no mínimo 2 cm por rodada, em altura definida pela organização |
| Desempate | Menor número de tentativas na altura decisiva, depois menor total de falhas |
Duas regras costumam gerar confusão. A primeira é a contagem das falhas: as três não precisam ser na mesma altura — um atleta que erra duas vezes em 2,20 m, passa a vez e erra de novo em 2,24 m está eliminado. A segunda é a possibilidade de passar a vez: o competidor pode pular alturas inteiras para guardar tentativas, aposta que decide medalhas quando dois atletas empatam na marca final e o desempate olha justamente quem gastou menos saltos.
Equipamento e área de salto: sarrafo, pista e colchão
São três elementos regulamentados: um sarrafo de 4 m e 30 mm de diâmetro, apoiado em postes; a área de impulso, um semicírculo de raio mínimo de 15 m; e o colchão de recepção, de no mínimo 5 m × 3 m × 70 cm.
O sarrafo é de fibra de vidro ou metal leve e pesa no máximo 2,2 kg, com extremidades planas de 30 a 35 cm que se apoiam nos ganchos dos postes — é essa folga que permite à barra oscilar sem cair. Na área de impulso não existe linha de chamada: o saltador escolhe livremente o ângulo, em geral entre 30° e 40°, e a distância da corrida, marcando o próprio ponto de partida no chão. O colchão, de espuma de alta densidade revestida em lona, chega a 6 m × 4 m × 80 cm em competições internacionais, dimensão necessária para amortecer quedas de mais de dois metros de altura.
Recordes mundiais, olímpicos e os maiores saltadores
O recorde mundial masculino é de 2,45 m, de Javier Sotomayor, em pé desde 1993 — o recorde mais antigo entre as provas olímpicas do atletismo. No feminino, Yaroslava Mahuchikh saltou 2,10 m em 2024 e encerrou os 37 anos de reinado da marca de Stefka Kostadinova.
| Categoria | Marca | Atleta | Ano e local |
|---|---|---|---|
| Mundial masculino (outdoor) | 2,45 m | Javier Sotomayor (Cuba) | 1993, Salamanca |
| Mundial feminino (outdoor) | 2,10 m | Yaroslava Mahuchikh (Ucrânia) | 2024, Paris |
| Mundial masculino (indoor) | 2,43 m | Javier Sotomayor (Cuba) | 1989, Budapeste |
| Mundial feminino (indoor) | 2,08 m | Kajsa Bergqvist (Suécia) | 2006, Arnstadt |
| Olímpico masculino | 2,39 m | — | — |
| Olímpico feminino | 2,06 m | — | — |
Os recordes olímpicos ficam abaixo dos mundiais por um motivo de formato: a final dos Jogos é disputada por colocação, não por marca. Assim que a vitória está garantida, o campeão em geral encerra a série ou tenta uma altura simbólica, sem a preparação específica de uma tentativa de recorde.
| Atleta | País | Por que entrou para a história |
|---|---|---|
| Javier Sotomayor | Cuba | Recordista mundial desde 1993 e único homem a saltar 2,45 m |
| Stefka Kostadinova | Bulgária | Recordista mundial por 37 anos com os 2,09 m de 1987 |
| Dick Fosbury | EUA | Criador do Fosbury Flop e campeão olímpico em 1968, com 2,24 m |
| Mutaz Essa Barshim | Catar | Recorde pessoal de 2,43 m e o ouro dividido em Tóquio 2020 |
| Yaroslava Mahuchikh | Ucrânia | Recordista mundial com 2,10 m e campeã olímpica em Paris 2024 |
O momento mais lembrado do salto em altura recente aconteceu em Tóquio 2020: empatados na mesma altura, Mutaz Barshim e Gianmarco Tamberi foram informados de que poderiam decidir no jump-off e preferiram dividir o ouro — uma cena rara de um esporte que costuma exigir desempate até o fim.
Da tesoura ao Fosbury Flop: a evolução da técnica
A técnica mudou três vezes desde a padronização da prova, no século XIX, e cada mudança elevou o teto de altura: tesoura até 1936, rolamento ventral entre 1936 e 1968, e Fosbury Flop de 1968 em diante.
Tesoura (scissors)
A mais antiga e simples. O atleta chega ao sarrafo, chama com o pé externo e passa de lado, com as pernas em movimento de tesoura, caindo em pé. A limitação é biomecânica: o centro de massa precisa subir bem acima da barra, o que gasta energia e trava a marca perto dos 2,03 m.
Rolamento ventral (straddle)
Dominante entre 1936 e 1968, tendo Valeri Brumel como maior nome, com 2,28 m em 1963. O saltador chama com o pé interno e gira sobre o sarrafo de barriga para baixo. A queda era em areia ou serragem — os colchões de espuma ainda não existiam, e isso limitava o que era possível tentar.
Fosbury Flop
Dick Fosbury desenvolveu o salto de costas entre 1963 e 1968, enquanto era estudante universitário, e ganhou o ouro olímpico de 1968 com 2,24 m diante de um mundo que estranhou o gesto. A técnica só se tornou viável porque os colchões de espuma haviam substituído a areia. Hoje é usada por praticamente 100% dos saltadores de elite.
Salto em altura nas Olimpíadas
Em Paris 2024, o ouro masculino ficou com Hamish Kerr, da Nova Zelândia, que venceu com 2,36 m em jump-off contra Shelby McEwen depois de os dois empatarem. No feminino, Yaroslava Mahuchikh venceu com 2,00 m.
Mutaz Barshim ficou em terceiro com 2,34 m, somando mais um pódio olímpico à carreira. Na prova feminina, Nicola Olyslagers levou a prata com 1,98 m e Iryna Gerashchenko ficou com o bronze pela mesma altura, decidida no critério de tentativas — e Mahuchikh chegou aos Jogos poucos dias depois de bater o recorde mundial, situação incomum até para uma favorita.
Como começar no salto em altura
Comece identificando a perna de chamada, treine a corrida em J de 8 passos e só depois trabalhe a transposição. Antes da técnica específica vem a base atlética: velocidade, pliometria e mobilidade — a mesma que sustenta provas como os 100 metros rasos.
- Identifique a perna de chamada — costuma ser a oposta à mão dominante. Corra em curva e observe qual pé impulsiona naturalmente.
- Monte a corrida em J — 8 passos: 4 retos para acelerar, 4 em curva rumo ao sarrafo. Marque o ponto de partida no chão e repita até o ritmo ficar constante.
- Treine a transposição em altura baixa — comece com o sarrafo bem abaixo do seu limite, priorizando o arco das costas e a segurança da recepção.
- Construa a base física — sprints de 30 a 60 m, saltos pliométricos, alongamento dinâmico e força de membros inferiores.
- Procure um clube credenciado — acompanhamento técnico nos primeiros meses evita vícios que travam a progressão depois.
Salto em altura e as outras provas de salto
O atletismo tem quatro provas de salto: duas verticais — altura e vara — e duas horizontais — distância e triplo. O que separa cada uma é o gesto de impulsão e o que se mede ao final.
| Prova | Tipo | Técnica dominante |
|---|---|---|
| Salto em altura | Vertical | Fosbury Flop, chamada com um pé |
| Salto com vara | Vertical | Impulsão com vara de fibra de carbono |
| Salto em distância | Horizontal | Hitch-kick, ou caminhada no ar |
| Salto triplo | Horizontal | Sequência de salto, passo e salto |
Entre as verticais, a diferença decisiva é o implemento: o salto com vara transforma velocidade horizontal em altura por meio da vara, e por isso alcança marcas mais que duas vezes maiores. Entre as horizontais, o triplo distribui a energia em três apoios em vez de um. As regras comuns a todas — tentativas, marcação de falha e critérios de desempate — estão reunidas nas regras do atletismo, e a lista completa da modalidade está em provas do atletismo.
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Perguntas Frequentes Sobre Salto em Altura
Quais são as fases do salto em altura?
O Fosbury Flop tem 4 fases: corrida de aproximação, com 8 a 12 passos em formato de J; chamada, com impulso de um pé só; suspensão e transposição, com o corpo arqueado sobre o sarrafo por 0,4 a 0,6 segundo; e recepção, de costas no colchão.
Qual é o recorde mundial do salto em altura?
No masculino, 2,45 m de Javier Sotomayor, saltados em 27 de julho de 1993 em Salamanca — o recorde mais antigo entre as provas olímpicas do atletismo. No feminino, 2,10 m de Yaroslava Mahuchikh, em 7 de julho de 2024 em Paris, quebrando a marca de 2,09 m de Stefka Kostadinova que durava 37 anos.
Qual é a técnica usada no salto em altura?
O Fosbury Flop, criado por Dick Fosbury e revelado ao mundo nos Jogos de 1968. O atleta passa de costas sobre o sarrafo, arqueando o corpo em U invertido, o que faz o centro de gravidade passar por baixo da barra — vantagem impossível nas técnicas anteriores.
Quantas tentativas o atleta tem no salto em altura?
Três tentativas em cada altura anunciada. Após 3 falhas consecutivas, seja na mesma altura ou somando alturas seguidas, o atleta está eliminado. Vence quem transpõe a maior altura, e o desempate olha o número de tentativas gastas.
Pode saltar com os dois pés no salto em altura?
Não. A chamada tem que ser unipodal, com um único pé. Impulsionar com os dois é falha. A escolha do pé é livre e, na prática, a maioria usa o pé oposto à mão dominante.
O que acontece se o sarrafo balançar mas não cair?
O salto é válido. Encostar no sarrafo não é falha por si só — só conta como erro se a barra efetivamente cair dos suportes. Se oscilar e voltar ao lugar, a tentativa é aproveitada.
Qual a altura inicial de uma competição de salto em altura?
Não existe altura fixa: a inicial e os incrementos são definidos pela organização antes da prova, e o sarrafo sobe no mínimo 2 cm por rodada. O atleta pode passar a vez em qualquer altura para poupar tentativas, estratégia comum entre os favoritos.
Qual é o recorde olímpico do salto em altura?
O recorde olímpico masculino é de 2,39 m e o feminino, de 2,06 m — ambos abaixo dos recordes mundiais, porque a final olímpica é disputada por colocação e não por marca, e os atletas costumam encerrar a série assim que a vitória está garantida.



