O ollie no skate é a manobra base do skateboarding: um salto vertical executado sem o uso das mãos, criado em 1978 pelo skatista Alan Ollie Gelfand nas pools da Flórida e adaptado para o asfalto por Rodney Mullen em 1982. Dominá-lo destrava kickflip, heelflip, grinds e slides.

O ollie no skate é, sem sombra de dúvida, a manobra mais fundamental e transformadora da história do skateboarding.

Definido tecnicamente como um salto onde o praticante e o skate elevam-se no ar sem o uso das mãos, o ollie é a pedra angular sobre a qual praticamente todas as manobras aéreas modernas são construídas.

Dominar o ollie no skate é o primeiro grande desafio de qualquer skatista, pois representa a transição de apenas andar sobre o shape para começar a interagir com o ambiente de forma tridimensional, superando obstáculos, subindo guias e acessando rampas.

Com a evolução constante do esporte, compreender a fundo o que é e como executar um ollie perfeito continua sendo o passo mais crucial para qualquer iniciante.

Você sabia? O recorde mundial de altura de ollie pertence ao norte-americano Aldrin Garcia, que saltou 113,03 cm (45 polegadas) no Maloof High Ollie Challenge em 2011, em Long Beach, Califórnia. O recorde foi homologado pelo Guinness e segue invicto há mais de uma década.

O que é Ollie no Skate: A Definição e sua Importância

Conforme a definição consolidada, o ollie é uma manobra de skate onde o praticante e o skate saltam para o ar sem o uso das mãos.

A genialidade e a importância histórica do ollie no skate residem justamente nesse aspecto: ele liberta o skatista da necessidade de agarrar o shape (como no aerial ou no handplant) para elevá-lo.

Através de um movimento sincronizado de golpear a tail (parte traseira) do skate no chão e deslizar o pé dianteiro, o skatista “gruda” seus pés na lixa e leva a prancha consigo no ar.

Isso pode não parecer intuitivo em terreno plano, mas é a física pura aplicada à criatividade. Sem dominar o ollie no skate, manobras como o kickflip, heelflip, 360 flip e até os grinds e slides mais básicos se tornam inacessíveis. Ele é o alfabeto do skate street moderno.

Guia Passo a Passo: Como Fazer um Ollie?

Pé traseiro de skatista batendo a tail do skate no concreto durante o pop do ollie
O pop: a tail bate no chão e a nose começa a subir — a primeira das quatro etapas do ollie.

Baseado nos melhores tutoriais de profissionais como Dominick Walker e nas instruções mais atualizadas, segue um método consolidado para aprender o ollie no skate.

1. Posicionamento dos Pés (Stance)

Se você é regular (pé esquerdo na frente), posicione o pé traseiro na tail, com a ponta do pé no centro ou levemente no bolso da tail. O pé dianteiro fica entre os parafusos do meio do shape, ligeiramente virado para a lateral (em um ângulo de 20 a 45 graus). Mantenha os joelhos flexionados e os ombros alinhados com o skate.

2. O Movimento do Pop

Dobre os joelhos um pouco mais, como se fosse pular no lugar. Com um movimento rápido e explosivo do tornozelo, golpeie (não pise) a tail no chão. O movimento vem do tornozelo, não da perna toda. Imediatamente após o golpe, comece a levantar o pé traseiro.

3. O Slide do Pé Dianteiro

Enquanto a tail bate no chão e a nose começa a subir, deslize o pé dianteiro para cima e para frente, raspando a lateral do tênis na lixa em direção ao nose do skate. Esse movimento “puxa” o skate para cima e começa a nivelá-lo.

4. O Voo e o Nivelamento

No ar, com ambos os pés elevados, continue o movimento do pé da frente para frente para empurrar suavemente a nose, alinhando-a com a tail. O pé traseiro deve subir para encontrar o skate. O segredo de um ollie no skate alto é levar os joelhos bem para perto do peito.

5. A Aterrissagem

Mantenha os olhos no skate. Aterrisse com os quatro rodamentos ao mesmo tempo, ou com os traseiros ligeiramente antes. Joelhos sempre flexionados para absorver o impacto. O peso deve estar centralizado. Pratique primeiro parado, sobre uma superfície lisa, e depois em movimento lento.

EstágioAção-ChaveErro ComumDica
PreparaçãoPés posicionados, joelhos dobradosPés muito juntos ou separadosFilme-se para analisar a base
PopGolpe rápido da tail com o tornozeloPisar na tail, sem explosãoPense em clicar no chão
SlideDeslizar pé dianteiro para o noseSlide lateral insuficienteUse o lado do tênis, não a sola
VooLevantar joelhos, nivelar o shapeNão levantar o pé traseiroVisualize joelhos no peito
QuedaAterrissar com joelhos flexionadosTravar pernas no impactoFoque em aterrissar sobre os parafusos
Erros comuns e correções em cada etapa do ollie
Tutorial COMO MANDAR OLLIE do canal SKTBR (7m38s): pop, slide e aterrissagem em câmera lenta com correções dos erros mais comuns.

A História e a Revolução do Ollie

A invenção do ollie é creditada ao skatista Alan “Ollie” Gelfand, no final da década de 1970, no Florida Skateboard Park. Curiosamente, Gelfand desenvolveu a manobra inicialmente no vert (em transições e piscinas), usando o impulso da rampa para ajudar a levantar o skate.

A manobra foi apelidada de “ollie” pelos amigos, e o nome ficou para a história. No entanto, a verdadeira revolução aconteceu quando Rodney Mullen, um gênio do freestyle, adaptou e aperfeiçoou a técnica para o chão plano no início dos anos 80. Mullen descobriu como “estalar” a tail no asfalto e usar o pé da frente para nivelar e controlar o skate no ar.

Foi essa adaptação para o street que democratizou completamente o skate, permitindo que skatistas transformassem qualquer ambiente urbano – escadas, corrimãos, bancos – em um playground.

Essa evolução histórica é a base do skate street que vemos dominar as Olimpíadas — Rayssa Leal e Pâmela Rosa carregaram a bandeira brasileira em Tóquio 2020 e Paris 2024 executando combos que partem do ollie. Veja o comparativo completo em Skate Street vs Skate Park: Diferenças, Regras e Competições.

A Física por Trás do Ollie no Skate

Skatista no ar com o skate nivelado sob os pés durante um ollie em praça urbana
No ponto alto do salto, o pé dianteiro empurra a nose para frente e nivela o shape no ar.

Entender a mecânica básica ajuda a executar melhor a manobra. O ollie no skate não é simplesmente um pulo. É uma sequência de ações que exploram princípios físicos:

  1. O Pop (Estalo): O pé traseiro golpeia rapidamente a tail do skate contra o chão. Essa ação converte energia cinética em energia potencial elástica (a madeira do shape flexiona) e, em seguida, impulsiona a nose (parte dianteira) para cima, usando o solo como ponto de apoio.
  2. O Salto e a Puxada: Simultaneamente ao pop, o skatista salta, dobrando os joelhos. O pé dianteiro, posicionado no meio do shape, desliza rapidamente em direção à nose, “puxando” o skate para cima e para nivelá-lo.
  3. Aderência e Controle: A lixa (grip tape) é essencial. O atrito entre a lixa e a sola do tênis permite que o pé dianteiro arraste e controle o skate no ar, mantendo-o “colado” aos pés.
  4. O Nivelamento e a Aterrissagem: No ponto mais alto do salto, o skatista empurra levemente o pé dianteiro para frente para nivelar o skate, mantendo os joelhos flexionados para absorver o impacto da aterrissagem de forma estável.

Erros Comuns ao Aprender o Ollie

Identificar falhas é parte do aprendizado. Os erros mais frequentes incluem:

  • Não levantar o pé traseiro: Após dar o pop, muitos iniciantes esquecem de levantar o pé de trás, impedindo que o skate suba.
  • Deslizar o pé da frente muito cedo ou muito tarde: A sincronia entre o pop e o slide é crucial. Um slide prematuro cancela o pop; um slide tardio não nivela o skate.
  • Pular para frente, não para cima: O corpo deve saltar verticalmente. Inclinar-se muito para frente faz o skate sair pela frente.
  • Olhar para baixo: Manter a cabeça erguida e o olhar no horizonte ajuda no equilíbrio e na postura.

Evoluindo seu Ollie: Do Básico ao Avançado

Uma vez que o ollie básico esteja dominado em movimento, o desafio é evoluí-lo. Os skatistas buscam não apenas altura, mas também estilo, controle e aplicação prática.

Ollie Alto (High Ollie)

Para ganhar altura, é necessário intensificar todos os movimentos: um pop mais forte e direto para baixo, um salto mais explosivo levando os joelhos bem alto, e um slide completo do pé dianteiro que quase toca a nose do skate. A paciência no ar é crucial – espere o skate subir antes de nivelá-lo.

Ollie em Obstáculos

Comece com um pequeno obstáculo, como um cabo de vassoura no chão. A abordagem mental é diferente: você precisa de um ollie que seja não apenas alto, mas também para frente.

Aproxime-se com confiança, foque no ponto de aterrissagem além do obstáculo e execute a manobra como de costume. A progressão natural leva a obstáculos maiores, como guias (curbs) e degraus, fundamentais para o skate street.

Ollie em Velocidade e em Declives

Executar um ollie no skate em alta velocidade ou descendo uma rampa exige ajustes no equilíbrio. O movimento do pop deve ser mais para baixo em relação ao skate em movimento, e o corpo deve estar perfeitamente alinhado para evitar que o skate gire ou saia dos pés. A prática é a única mestra aqui.

O Ollie como Base para Outras Manobras

Dominar o ollie abre um universo de possibilidades. Praticamente toda a gramática do skate street moderno deriva dele:

  • Flip Tricks: Kickflip e Heelflip são ollies com um giro do skate, provocado por um “chute” lateral do pé.
  • Shove-its e 360 Flips: Combinam o giro da prança no eixo horizontal com o movimento do ollie.
  • Grinds e Slides: Para deslizar em corrimãos (grinds) ou no concreto (slides), o ollie é a entrada fundamental para posicionar o skate no obstáculo.
  • Manobras em Transição: Até em rampas, o ollie é usado para sair do coping, transferir entre obstáculos ou adicionar estilo a um ar.

Equipamento Adequado para um Bom Ollie

O equipamento certo facilita o aprendizado. Um shape muito pequeno ou muito grande pode atrapalhar. Para adultos iniciantes, um shape entre 8.0″ e 8.25″ de largura oferece uma boa plataforma estável.

As rodas devem ser macias (78A a 87A) para maior aderência e conforto no chão irregular, ou duras (99A+) para skate parks.

O item mais crítico para o ollie no skate é a lixa (grip tape) – ela deve estar sempre limpa e com boa aderência.

Tênis de skate com solas planas e reforçadas nas áreas de atrito (como o “ollie pad”) são um investimento essencial para durar mais e oferecer melhor sensibilidade.

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Perguntas Frequentes sobre o Ollie no Skate

Quanto tempo leva para aprender a fazer um ollie?

Não existe um tempo padrão. Depende da frequência de prática, da coordenação individual, da metodologia de aprendizado e da coragem do skatista. Alguns podem levar semanas para conseguir um ollie raso e básico, enquanto outros podem levar meses para conseguir um ollie consistente e em movimento. O importante é não desistir e praticar regularmente, mesmo que por pouco tempo.

É melhor aprender o ollie parado ou em movimento?

A maioria dos instrutores recomenda começar parado, sobre uma superfície lisa e plana (como um tapete de grama sintética ou em um local onde o skate não role), para dominar a mecânica básica do pop e do slide sem se preocupar com o equilíbrio dinâmico. Porém, a transição para o ollie em movimento deve ser feita o mais rápido possível, mesmo que seja um rolinho muito lento. O ollie em movimento é mais estável e funcional, e evita a criação de vícios de postura que surgem quando se pratica apenas parado.

Por que meu skate não sobe reto no ollie? Ele vira para o lado.

Isso geralmente está relacionado à posição dos ombros e/ou ao movimento do slide. Se seus ombros estiverem virados durante a execução, seu corpo irá girar e transmitir esse giro para o skate. Tente mantê-los paralelos à linha do skate. Outra causa comum é um slide do pé dianteiro que não é reto para frente, mas sim em diagonal. Pratique o movimento de deslizar o pé diretamente em direção ao nose, mantendo a lateral do tênis em contato com a lixa.

Qual é a diferença entre um ollie no street e um ollie no vert (rampa)?

A mecânica central é a mesma, mas a aplicação difere. No street (chão plano), toda a energia do salto vem do pop da tail no chão e do salto do corpo. No vert, o skatista usa o impulso da subida da rampa (a transição) como um trampolim. O movimento do pop no vert é muitas vezes mais suave e de acompanhamento, pois a rampa já está “jogando” o skatista para cima. O ollie no vert é frequentemente usado para sair do coping (borda da rampa) e pegar mais ar.

Preciso de um skate caro para aprender a fazer ollie?

Não. Você precisa de um skate completo de qualidade básica, com componentes funcionais. Um shape de maple, trucks que não folguem excessivamente, rolamentos que girem e uma lixa aderente são suficientes. Skates muito baratos de departamento (conhecidos como “skates de brinquedo”) têm shapes de madeira compensada de baixa qualidade que podem quebrar, trucks frágeis e rolamentos ruins, o que torna o aprendizado quase impossível e perigoso. Invista em um setup de entrada de uma marca de skate reconhecida.

O ollie machuca os pés ou os tornozelos?

Nas primeiras sessões, é comum sentir desconforto na planta do pé do pé que faz o pop (geralmente o traseiro) devido ao impacto repetido. Usar tênis de skate com bom amortecimento ajuda. Dor no tornozelo pode indicar técnica errada, como usar toda a perna para dar o pop em vez de um movimento rápido do tornozelo. Se sentir dores agudas ou persistentes, descanse e, se necessário, consulte um profissional de saúde. Alongar antes e depois de andar de skate é sempre recomendado.

Qual a altura média de um ollie de iniciante?

Iniciantes geralmente conseguem ollies de 5 a 15 cm de altura nas primeiras semanas de prática consistente. Skatistas intermediários atingem 25 a 30 cm, e profissionais ultrapassam 50 cm com facilidade. O recorde mundial é de 113 cm, conquistado por Aldrin Garcia em 2011. Foque em técnica limpa antes de altura — um ollie de 10 cm sólido vale mais que um inconsistente de 30 cm.

Qual a diferença entre ollie e nollie?

No ollie o impulso vem do pé de trás batendo o tail no chão. No nollie é o contrário: o pé da frente bate o nose e o pé de trás desliza para trás. O nollie costuma vir depois porque exige equilíbrio sobre a perna dianteira, que é a mais instável para a maioria dos skatistas.

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Higor Bissoli é editor responsável pelo Aqui Esportes, portal brasileiro especializado em guias técnicos, regras oficiais e análise estatística de modalidades esportivas. Une há mais de 2 anos sua atuação profissional em edição à paixão pelo esporte para construir uma referência em conteúdo esportivo aprofundado no Brasil. Acompanha esportes desde a adolescência e cobre com profundidade as principais modalidades do calendário internacional: futebol (com cobertura dedicada das Eliminatórias Sul-Americanas e da Copa do Mundo 2026), basquete (NBA e NBB), Fórmula 1, vôlei, tênis, atletismo, MMA, boxe e modalidades olímpicas. Tem interesse particular por dimensões oficiais, regulamentos internacionais e evolução histórica das regras de cada modalidade. Sua abordagem editorial combina pesquisa rigorosa em fontes primárias oficiais (FIFA, FIBA, World Athletics, FIA, COI, NBB, IHF, FIVB e confederações nacionais) com verificação cruzada em fontes secundárias confiáveis. Cada guia passa por revisão pessoal antes da publicação, e atualizações são feitas sempre que regulamentações internacionais sofrem alterações. Situado em Espírito Santo. Para sugestões de pauta, correções factuais ou contato profissional: [email protected]