O cutback é a manobra em que o surfista faz uma curva ampla na base da onda para voltar ao pocket — a parte de maior energia, junto à espuma. Serve para recuperar velocidade quando a onda abre, mantendo o surfista na seção mais forte. Divide-se em três fases: compressão, giro e re-entry.

Depois do drop e do bottom turn, o cutback é uma das primeiras manobras de progressão que todo surfista aprende. Ele aparece quando a onda perde força à frente e o surfista precisa voltar para a parte que ainda está quebrando. Sem ele, a linha de surfe morre na seção mole da onda.

Mais do que uma curva, o cutback é a base do controle de posicionamento no surfe. Surfistas como Tom Curren transformaram a manobra em assinatura de estilo, e sua versão avançada — o roundhouse — é até hoje sinônimo de power surfing. Este guia explica o que é o cutback, para que serve, suas fases e como executar cada tipo.

O Que é o Cutback no Surfe

O cutback é uma manobra de redirecionamento em que o surfista faz uma curva larga, geralmente em formato de S, para retornar à parte mais íngreme e poderosa da onda. O nome vem do inglês cut back (cortar de volta): em vez de seguir reto pela seção que abre, o surfista corta o caminho e volta ao ponto de quebra.

É considerado uma das cinco manobras fundamentais do surfe, ao lado do bottom turn, do top turn, do floater e do tubo. Diferente das manobras aéreas ou radicais, o cutback prioriza fluidez e controle de linha. Por isso aparece tanto no surfe de pranchinha de alta performance quanto no longboard clássico.

Para Que Serve o Cutback

O cutback serve para devolver o surfista ao pocket — a parte côncava e mais energética da onda, logo à frente da espuma. Quando a onda abre e perde inclinação, o surfista desacelera; o cutback corrige isso, trazendo a prancha de volta à fonte de energia para manter velocidade e emendar a próxima manobra.

Em competições da World Surf League, o cutback bem executado também soma pontos. Os juízes avaliam poder, fluidez e o uso da parte crítica da onda, e a forma como o surfista pontua no surfe depende justamente de manter-se na seção de força. Um cutback que devolve o surfista exatamente ao curl, em velocidade, vale mais que uma curva tímida na parte mole.

Há também uma lógica de encadeamento: enquanto o tubo é a manobra que mais pontua, o cutback é a manobra de transição que mantém o surfista em posição para buscá-la. Dominar o cutback é o que permite emendar uma sequência inteira sem perder a onda.

As Fases do Cutback: Compressão, Giro e Re-entry

O cutback se divide em três fases encadeadas: compressão (flexionar as pernas para baixar o centro de gravidade), giro (conduzir a curva com o olhar e os ombros) e re-entry (bater na espuma e retomar a linha). Dominar a sequência na ordem certa é o que separa um cutback fluido de uma curva travada.

1. Compressão

Ao chegar à parte alta da onda ou à seção que começa a abrir, flexione os joelhos e abaixe o tronco para reduzir o centro de gravidade. Mantenha os dois pés firmes sobre a prancha. Essa compressão acumula energia e dá estabilidade para iniciar a curva sem perder o equilíbrio.

2. Giro

Olhe para o ponto de quebra da onda, onde você quer chegar — o olhar antecipa e guia o corpo. Comece girando ombros, tronco e quadril nessa direção, nessa ordem. No surfe, conduza sempre com os olhos e as mãos primeiro; pernas, joelhos e pés seguem o movimento.

3. Re-entry

Ao completar a curva, a prancha volta em direção à espuma. Bater de leve na parte branca da onda — o chamado foam bounce — ajuda a redirecionar e fechar o movimento de volta ao pocket. A saída deve devolver o surfista em velocidade, pronto para a próxima manobra.

Cutback Frontside vs Backside

A diferença está na posição do corpo em relação à onda. No cutback frontside, o surfista desce de frente para a onda e gira de costas para ela, o que o torna mais difícil. No backside, ele parte de costas e gira de frente para a onda, ganhando visão e controle.

No frontside, a técnica pede mais pressão sobre o rail externo, com o peso nos calcanhares, e a mão da frente pode tocar a água para servir de pivô da curva. No backside, o peso vai para a ponta dos pés (toeside) e é a mão de trás que apoia o giro. Em ambos, o erro mais comum é girar só com os braços, sem levar o quadril junto.

Tipo de CutbackPosição do SurfistaNível
FrontsideDe frente para a onda, gira de costasMais difícil
BacksideDe costas para a onda, gira de frenteMais acessível
RoundhouseFrontside ou backside, em formato de 8Avançado
Comparativo dos principais tipos de cutback por posição e dificuldade.

O Que é o Roundhouse Cutback

O roundhouse cutback é a versão avançada e mais estilosa da manobra. Em vez de desenhar um S, o surfista traça um 8 — ou o símbolo do infinito: faz a curva larga, bate na espuma e usa esse rebote para voltar ao pocket em velocidade total. É um dos maiores símbolos do power surfing.

O norte-americano Tom Curren, tricampeão mundial, é a referência máxima do roundhouse cutback: suas curvas longas e precisas, com a borda enterrada e zero movimento desperdiçado, definiram o estilo nos anos 1980. A manobra exige timing apurado para acertar o foam bounce no momento certo e fechar o 8 sem perder a parede da onda.

Erros Comuns ao Fazer o Cutback

Mesmo sendo uma manobra fundamental, o cutback trava em detalhes de técnica. Os erros mais frequentes são:

  • Não comprimir antes da curva: sem flexionar as pernas, falta estabilidade e a manobra fica rasa.
  • Olhar para a prancha em vez da onda: o olhar guia o corpo; fixá-lo nos pés desalinha todo o giro.
  • Girar só com os braços: sem levar o quadril junto, a prancha não acompanha a rotação.
  • Abrir o cutback demais: uma curva larga demais ultrapassa o pocket e mata a velocidade.
  • Ignorar a espuma no roundhouse: sem o foam bounce, não há rebote para fechar o 8.
  • Forçar a manobra na prancha errada: pranchas com mais volume e curva facilitam o aprendizado.

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Perguntas Frequentes Sobre o Cutback no Surfe

O que é cutback no surfe?

O cutback é uma manobra em que o surfista faz uma curva ampla, geralmente em S, para voltar à parte mais forte e íngreme da onda, chamada pocket. Ele corrige a perda de velocidade que acontece quando a onda abre e perde inclinação.

Para que serve o cutback?

Serve para reposicionar o surfista na fonte de energia da onda. Ao surfar para a seção que abre, o surfista desacelera; o cutback traz a prancha de volta ao pocket, mantendo a velocidade e permitindo emendar a próxima manobra.

Qual a diferença entre cutback frontside e backside?

No cutback frontside, o surfista desce de frente para a onda e gira de costas para ela, o que exige mais técnica. No backside, ele parte de costas e gira de frente, ganhando visão da onda — por isso é considerado um pouco mais fácil.

O que é o roundhouse cutback?

É a versão avançada do cutback, em que o surfista desenha um 8 em vez de um S. Ele faz a curva larga, bate na espuma e usa o rebote para voltar ao pocket em velocidade. É um dos símbolos do power surfing, eternizado por Tom Curren.

O cutback é difícil de aprender?

O cutback básico é uma das primeiras manobras de progressão, acessível a surfistas intermediários que já fazem o bottom turn. A dificuldade aumenta no frontside e, principalmente, no roundhouse, que exige timing preciso para acertar o rebote na espuma.

Qual a diferença entre cutback e bottom turn?

O bottom turn é a curva feita na base da onda logo após o drop, usada para ganhar velocidade e subir para a parede. O cutback acontece depois, quando o surfista já avançou demais para a seção fraca e precisa voltar ao pocket. São manobras complementares.

O cutback conta pontos no surfe de competição?

Sim. Na World Surf League, os juízes avaliam poder, fluidez e o uso da parte crítica da onda. Um cutback bem executado, que devolve o surfista ao curl em velocidade, soma na nota — especialmente o roundhouse com rebote na espuma.

Quem é o melhor surfista de cutback da história?

Tom Curren, tricampeão mundial nos anos 1980, é a referência máxima do roundhouse cutback. Seu estilo de curvas longas, precisas e sem movimento desperdiçado definiu o padrão da manobra e influencia surfistas até hoje.

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Higor Bissoli é editor responsável pelo Aqui Esportes, portal brasileiro especializado em guias técnicos, regras oficiais e análise estatística de modalidades esportivas. Une há mais de 2 anos sua atuação profissional em edição à paixão pelo esporte para construir uma referência em conteúdo esportivo aprofundado no Brasil. Acompanha esportes desde a adolescência e cobre com profundidade as principais modalidades do calendário internacional: futebol (com cobertura dedicada das Eliminatórias Sul-Americanas e da Copa do Mundo 2026), basquete (NBA e NBB), Fórmula 1, vôlei, tênis, atletismo, MMA, boxe e modalidades olímpicas. Tem interesse particular por dimensões oficiais, regulamentos internacionais e evolução histórica das regras de cada modalidade. Sua abordagem editorial combina pesquisa rigorosa em fontes primárias oficiais (FIFA, FIBA, World Athletics, FIA, COI, NBB, IHF, FIVB e confederações nacionais) com verificação cruzada em fontes secundárias confiáveis. Cada guia passa por revisão pessoal antes da publicação, e atualizações são feitas sempre que regulamentações internacionais sofrem alterações. Situado em Espírito Santo. Para sugestões de pauta, correções factuais ou contato profissional: [email protected]