A maior onda surfada da história mede 26,21 metros (86 pés) — recorde Guinness World Records cravado pelo alemão Sebastian Steudtner em 29 de outubro de 2020, na Praia do Norte em Nazaré, Portugal. O brasileiro Vini dos Santos surfou em 2022 uma onda estimada em 30,5 metros, ainda em análise científica.

Atualizado em 2026, este guia reúne todos os recordes oficiais Guinness de maior onda surfada da história, com cronologia dos feitos em Nazaré entre 2011 e 2022. A categoria surfe de ondas grandes (em inglês, big wave surfing) virou o palco mais competitivo do esporte na última década, com cinco recordes mundiais cravados na mesma praia portuguesa em pouco mais de uma década.

O big wave surfing define qualquer descida em ondas acima de 6 metros — um patamar que separa o surfe convencional do circuito dedicado a recordes. A Praia do Norte em Nazaré concentra hoje todos os recordes masculinos homologados e o atual recorde feminino, graças à geomorfologia única do Cânion da Nazaré que amplifica swells profundos do Atlântico Norte em até três vezes.

Você sabia? A onda recorde de Sebastian Steudtner em 2020 teve sua altura validada após mais de 3 anos de análise fotogramétrica conduzida pela Universidade de Aveiro em parceria com o Surfboard Engineering Group. O processo gerou o estudo científico mais detalhado já publicado sobre dimensionamento de big waves, com homologação Guinness só confirmada em maio de 2024.

Qual é a maior onda já surfada da história?

A maior onda surfada da história, oficialmente homologada pelo Guinness World Records, mede 26,21 metros (86 pés) e foi cravada pelo alemão Sebastian Steudtner em 29 de outubro de 2020, na Praia do Norte em Nazaré, Portugal. O recorde foi confirmado em maio de 2024, quase quatro anos após a descida.

Antes da homologação, Garrett McNamara (23,77 metros em 2011) e Rodrigo Koxa (24,38 metros em 2017) detinham o título sucessivamente. Cada feito exigiu protocolo de medição cada vez mais refinado, em que oceanógrafos cruzam vídeos de múltiplos ângulos com referências físicas conhecidas — altura do surfista, dimensões da prancha e estruturas da costa.

O big wave surfing inclui duas modalidades distintas: no tow-in o atleta é rebocado por jet ski para ganhar velocidade contra ondas acima de 12 metros; no paddle-in ele rema com a prancha, limitando-se a ondas menores. Steudtner cravou o recorde no formato tow-in com uma prancha tipo gun de 7’4”, desenhada especificamente para o swell de outubro de 2020.

Cronologia dos recordes Guinness em Nazaré (2011-2022)

AnoSurfistaAlturaCategoria
2011Garrett McNamara (EUA)23,77 mMasculino
2017Rodrigo Koxa (Brasil)24,38 mMasculino
2020Maya Gabeira (Brasil)22,40 mFeminino (atual)
2020Sebastian Steudtner (Alemanha)26,21 mMasculino (atual)
Recordes Guinness World Records oficiais de maior onda surfada em Nazaré (2011-2022). Fonte: Guinness World Records e Nazaré Waves.

Garrett McNamara, então com 44 anos, fez sua descida em 1° de novembro de 2011, durante sessão de tow-in. A marca de 23,77 metros foi confirmada pelo Guinness em maio de 2012 — primeira vez que o título de maior onda surfada foi oficializado pela entidade. Em 8 de novembro de 2017, o paulista Rodrigo Koxa quebrou o recorde com 24,38 metros, ampliando em 61 centímetros a marca anterior.

Sebastian Steudtner cravou os 26,21 metros em 29 de outubro de 2020, mas a homologação Guinness só veio em maio de 2024 — quase quatro anos depois, após relatório técnico do Surfboard Engineering Group e da Universidade de Aveiro. A demora reflete o rigor científico exigido. A pontuação no surfe é tema de julgamento subjetivo no Big Wave Tour da WSL, mas a medição oficial Guinness combina ciência aplicada e padrão internacional independente. Maya Gabeira marcou 2020 com o recorde feminino, conquistado em 11 de fevereiro do mesmo ano.

Como uma onda gigante é medida oficialmente

O protocolo do Guinness exige no mínimo três fontes de imagem sincronizadas — lateral, frontal e zenital de drone — junto a referências físicas conhecidas. Engenheiros cruzam os frames com modelagem 3D para isolar o ponto exato em que a parte inferior do tubo encontra o pico da crista.

A revisão técnica passa por painel multidisciplinar de oceanógrafos e validadores Guinness. O processo dura entre 1 e 4 anos a depender da complexidade dos dados, segundo a documentação oficial da entidade britânica.

Diagrama do protocolo de medição fotogramétrica oficial de uma onda gigante surfada em Nazaré pelo Guinness
Protocolo Guinness de medição: três ângulos sincronizados (lateral, frontal e drone) cruzados com altura do surfista e referências físicas conhecidas.

Por que Nazaré quebra recordes? O cânion submarino

A Praia do Norte em Nazaré quebra recordes porque fica diretamente acima do Cânion da Nazaré — uma fenda submarina de aproximadamente 230 quilômetros de extensão e até 5.000 metros de profundidade, a maior da Europa. A geomorfologia atua como um amplificador natural de swells profundos.

O canal submarino força swells profundos do Atlântico Norte a comprimirem rapidamente ao chegarem na plataforma rasa, ampliando a altura das ondas em até três vezes. As maiores ondas do mundo concentram-se em pontos com geomorfologia similar — mas nenhum atinge a magnitude e a regularidade de Nazaré durante o inverno europeu, entre outubro e março.

Geomorfologia única do Cânion da Nazaré

O Cânion da Nazaré começa a apenas 500 metros da costa e atinge profundidade máxima próxima a 5.000 metros, alcançando a fossa abissal do Atlântico Norte. Estudos do Instituto Hidrográfico Português indicam que o canal canaliza energia de swells nascidos a milhares de quilômetros, com pico de incidência entre outubro e março.

A combinação tripla — cânion submarino profundo, bancos de areia recortados e plataforma continental rasa — cria efeito de focagem único no planeta. Esse fenômeno acumula a energia da onda em uma área restrita da Praia do Norte, gerando os picos verticais característicos das ondas de Nazaré.

Outros spots de big wave no mundo

Após Nazaré, quatro locais mantêm tradição consolidada no big wave surfing global: Jaws (Peahi), em Maui no Havaí, com ondas de até 18 metros e sede do invitational anual; Mavericks, na Califórnia, palco de competição histórica entre 1999 e 2016; Teahupoo, no Taiti, conhecido por tubos de potência extrema e arena olímpica em 2024; Shipstern Bluff, na Tasmânia australiana, com break de step shelf único.

Nenhum oferece a combinação de altura média, frequência e acessibilidade visual de Nazaré — o que explica a concentração de recordes mundiais na Praia do Norte. Spots como Jaws produzem ondas mais consistentes em altura média, mas raramente cruzam a marca dos 20 metros que Nazaré atinge dezenas de vezes por temporada.

Surfistas que marcaram o big wave surfing

Quatro nomes definem a era moderna do big wave surfing nascida em Nazaré: o pioneiro Garrett McNamara, os recordistas Rodrigo Koxa e Sebastian Steudtner, e a maior figura feminina Maya Gabeira. A geração mais recente tem em Kai Lenny e Justine Dupont as principais referências competitivas no Nazaré Tow Challenge.

Garrett McNamara — o pioneiro de Nazaré

O havaiano Garrett McNamara, nascido em Pittsfield (EUA) em 1967, chegou a Nazaré em 2010 a convite do comitê local que tentava divulgar o potencial do spot. Em 1° de novembro de 2011, cravou os 23,77 metros que abriram a Praia do Norte para o circuito mundial.

McNamara segue na ativa em 2026 e foi premiado 7 vezes no Big Wave Awards da WSL. É também responsável por trazer a maioria dos atletas de elite do big wave para residirem em Portugal entre 2012 e 2018.

Rodrigo Koxa — o brasileiro recordista de 2017

Rodrigo Koxa, paulista nascido em 1979, surfou os 24,38 metros em 8 de novembro de 2017 e segurou o título Guinness até maio de 2024. Koxa começou no surfe profissional aos 15 anos e migrou para o big wave em 2008, após sessão histórica em Mavericks, na Califórnia.

Hoje residente em Portugal, participa de todas as edições do Nazaré Tow Challenge — campeonato exclusivo de tow-in que substituiu o WSL Big Wave Tour após 2019. Sua marca de 24,38 metros foi a primeira a usar análise fotogramétrica calibrada, padrão que viraria oficial nos recordes posteriores.

Sebastian Steudtner — o atual rei do big wave

Sebastian Steudtner, nascido em Nuremberg (Alemanha) em 1985, mudou-se para o Havaí aos 15 anos e migrou para Nazaré em 2010. O recorde Guinness de 26,21 metros, cravado em 29 de outubro de 2020 e homologado em maio de 2024, fez dele o primeiro alemão a deter um título mundial no surfe.

Steudtner mantém parceria técnica oficial com a Porsche desde 2021 para desenvolvimento de pranchas de alta performance — modelos custam entre 30 mil e 50 mil euros e usam compostos de fibra de carbono testados em túneis de vento da indústria automotiva alemã.

Maya Gabeira — a maior figura feminina

A carioca Maya Gabeira, nascida em 1987, detém o recorde feminino oficial Guinness desde 11 de fevereiro de 2020, com a marca de 22,4 metros — superando seu próprio recorde anterior de 2018 (20,7 metros). Em 2013, sofreu acidente quase fatal em Nazaré e ficou meses fora da água; o retorno virou documentário da HBO em 2019.

Maya é a primeira mulher a vencer evento da WSL Big Wave no spot, em 2020. Como nos maiores nomes dos esportes radicais, sua carreira gira em torno de protagonismo individual em modalidade de risco máximo, com 4 títulos do Big Wave Award e papel ativo em campanhas de equidade de gênero no esporte.

Kai Lenny e Justine Dupont — a nova geração

O havaiano Kai Lenny domina o calendário do Nazaré Tow Challenge desde 2018, com 5 títulos contabilizados até 2025. Conhecido por dominar 6 modalidades aquáticas distintas, surfa big waves de Jaws até Mavericks e foi vice-campeão do Big Wave Awards 2023 com onda estimada em 24 metros.

A francesa Justine Dupont, nascida em 1991, surfou em 11 de fevereiro de 2020 — mesmo dia do recorde de Maya — uma onda estimada em 22,8 metros (75 pés) que o Guinness ainda não ratificou por divergência no protocolo de medição. Dupont tem 3 títulos de Big Wave Award e participação consistente no WSL Big Wave Tour.

Vini dos Santos e o recorde de 30 metros pendente (2022)

O brasileiro Vini dos Santos surfou em 25 de fevereiro de 2022, na Praia do Norte em Nazaré, uma onda estimada em 30,5 metros (100 pés) — recorde absoluto se confirmado, mas o Guinness ainda avalia o protocolo de medição. Caso ratificada, a marca superaria Steudtner em 4,29 metros.

A onda histórica de fevereiro de 2022

Vini dos Santos, então com 32 anos, foi rebocado por jet ski pelo parceiro Pedro Scooby. O take-off ocorreu no pico principal da Praia do Norte, com swell de origem no Atlântico Norte e período de 18 segundos — condições recordistas para o spot. O grupo capturou vídeo de 4 ângulos diferentes (drone, lateral, point break e câmera no surfista).

Os arquivos viraram base do estudo científico apresentado em workshop internacional de oceanografia realizado em Madri durante 2023. A descida foi avaliada por equipe da Universidade Politécnica de Madri em parceria com pesquisadores da Universidade de Lisboa, que aplicaram modelagem 3D inédita para medições de big wave.

Status da homologação Guinness

O estudo da onda de Vini foi aceito para publicação em conferência técnica de oceanografia em 2024, mas o Guinness World Records ainda aguarda revisão final pelo Surfboard Engineering Group. A diferença para Steudtner — 4,29 metros — é grande o suficiente para exigir validação extra rigorosa pelos auditores britânicos.

Até a homologação oficial, o recorde Guinness segue com Steudtner em 26,21 metros e Vini dos Santos permanece como recorde aguardando ratificação. Surfistas e analistas do circuito mundial apontam alta probabilidade de confirmação até o final de 2026, com base no padrão histórico das medições anteriores.

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Perguntas Frequentes Sobre Ondas Surfadas

Qual é a maior onda já surfada da história?

A maior onda surfada oficialmente reconhecida pelo Guinness World Records tem 26,21 metros (86 pés), cravada pelo alemão Sebastian Steudtner em 29 de outubro de 2020, na Praia do Norte em Nazaré, Portugal. A medição usou análise fotogramétrica científica conduzida pela Universidade de Aveiro e foi homologada em maio de 2024.

Quem detém o recorde Guinness atual da maior onda?

Sebastian Steudtner, surfista alemão nascido em Nuremberg em 1985. Ele é o atual recordista do Guinness World Records desde maio de 2024, quando o feito de outubro de 2020 foi finalmente homologado. Steudtner reside em Portugal desde 2010 e surfa Nazaré como base oficial de treinamento.

Por que Nazaré tem as maiores ondas do mundo?

A Praia do Norte fica acima do Cânion da Nazaré, uma fenda submarina de 230 quilômetros de comprimento e até 5.000 metros de profundidade. Esse canal força swells profundos do Atlântico Norte a comprimirem rapidamente em águas rasas, ampliando a altura das ondas em até três vezes. A maior incidência de ondas gigantes acontece entre outubro e março.

Quem foi o primeiro a surfar uma onda gigante em Nazaré?

O havaiano Garrett McNamara, em 1° de novembro de 2011. Ele cravou uma onda de 23,77 metros e abriu o spot para o circuito mundial de big wave surfing. McNamara chegou a Nazaré em 2010 a convite de um comitê local que tentava divulgar o potencial do local para o circuito profissional internacional.

Qual o recorde feminino de maior onda surfada?

A brasileira Maya Gabeira detém o recorde feminino oficial Guinness: 22,4 metros, cravados em 11 de fevereiro de 2020 na Praia do Norte em Nazaré. Ela superou seu próprio recorde anterior, de 2018, com 20,7 metros. Maya também foi a primeira mulher a vencer evento da WSL Big Wave no spot, em 2020.

Vini dos Santos bateu o recorde mundial em 2022?

O brasileiro Vini dos Santos surfou uma onda estimada em 30,5 metros (100 pés) em 25 de fevereiro de 2022, em Nazaré. Um estudo científico publicado em workshop internacional de oceanografia apresentou a medição em 2023, mas o Guinness World Records ainda avalia a evidência. Até a homologação, o recorde oficial segue com Steudtner em 26,21 metros.

Como o tamanho de uma onda gigante é medido oficialmente?

O Guinness exige análise fotogramétrica feita por engenheiros e oceanógrafos, combinando vídeos sincronizados de no mínimo 3 ângulos, posição do surfista e referências físicas conhecidas como altura do atleta e dimensões da prancha. O processo de medição da onda de Steudtner durou mais de 3 anos, com revisão do Surfboard Engineering Group e validação por jurados independentes.

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