A ginástica artística tem 10 provas de aparelho: seis masculinas (solo, cavalo com alças, argolas, salto, barras paralelas e barra fixa) e quatro femininas (salto, barras assimétricas, trave e solo). Solo e salto aparecem nos dois programas. As medidas de cada aparelho são fixadas pelas Normas de Aparelhos da FIG.
A ginástica artística é um esporte definido pelo equipamento. Não existe uma prova genérica: cada aparelho cobra uma qualidade física diferente e tem um código de exigências próprio.
É por isso que as medidas importam tanto. Uma trave de 10 centímetros de largura e uma barra fixa a 2,75 metros do chão são iguais em qualquer ginásio do mundo, porque a Federação Internacional de Ginástica padroniza cada centímetro em um documento técnico próprio.
Índice
Quais São os Aparelhos da Ginástica Artística

São 10 provas no total. O programa masculino tem seis aparelhos e o feminino tem quatro, com solo e salto presentes nos dois. A diferença não é de quantidade, e sim de qualidade física exigida: o masculino concentra provas de força de braço, e o feminino combina acrobacia, equilíbrio e dança.
Essa divisão explica por que os dois programas quase não se repetem. Cavalo com alças, argolas, paralelas e barra fixa exigem sustentar o próprio corpo suspenso ou apoiado, o que privilegia força de tronco e ombro. Barras assimétricas e trave pedem transferência de peso, precisão milimétrica e controle de rotação em cima de uma superfície estreita.
Solo e salto sobrevivem nos dois porque são provas de potência: dependem de impulsão e de rotação no ar, qualidades que não são exclusivas de nenhum dos programas.
Vale separar do outro tipo de ginástica competitiva. Na artística, os aparelhos são fixos e instalados no ginásio; na ginástica rítmica, são manuais — arco, bola, maças, fita e corda, que a ginasta manipula durante a série. São esportes distintos dentro da mesma federação, e cada um tem seu próprio código de pontuação.
Os 4 Aparelhos Femininos
O programa feminino segue uma ordem olímpica fixa: salto, barras assimétricas, trave e solo. As quatro provas cabem em 12 minutos de competição por ginasta, mas cobram habilidades quase opostas entre si.
Salto sobre a mesa
A mesa tem 1,20 metro de comprimento por 95 centímetros de largura, e a corrida de aproximação pode chegar a 25 metros. Cada salto tem um valor de dificuldade próprio, e quem disputa a final por aparelho precisa executar dois saltos de grupos diferentes: a nota final é a média dos dois.
Barras assimétricas
São duas barras em alturas diferentes: a superior a 2,50 metros do solo e a inferior a 1,70 metro. A regra traz um detalhe pouco conhecido — a barra de cima pode ser elevada em 10 centímetros a pedido de ginastas mais altas.
A série exige balanço contínuo e transições entre as duas barras, com pelo menos um elemento em que a ginasta solta e reagarra o aparelho no ar. É a prova com maior densidade de voo do programa feminino.
Trave de equilíbrio
A trave tem 5 metros de comprimento, 1,25 metro de altura e apenas 10 centímetros de largura. É a medida mais citada do esporte, e com razão: a ginasta executa saltos, giros e séries acrobáticas completas sobre uma superfície mais estreita que a própria planta do pé.
A série tem tempo limitado a 90 segundos, com um sinal sonoro avisando quando faltam 10. Passar do limite custa 0,1 ponto de dedução neutra.
A exigência é usar o comprimento inteiro do aparelho. Ficar concentrada no centro da trave, onde o equilíbrio é mais confortável, é penalizado na avaliação da série.
Solo
O praticável mede 12 por 12 metros, com uma faixa extra de 1 metro de segurança na borda. No feminino, é a única prova executada com música, e a série combina sequências de dança com séries acrobáticas, também dentro do limite de 90 segundos.
Um detalhe que passa despercebido: das 10 provas, apenas três são cronometradas — solo masculino, trave e solo feminino. Nas outras sete, o que limita a série é a exigência técnica, não o relógio. O cronômetro começa no primeiro movimento intencional da ginasta, não quando a música começa.
| Aparelho feminino | Medidas oficiais |
|---|---|
| Salto sobre a mesa | Mesa de 1,20 m × 95 cm; corredor de até 25 m |
| Barras assimétricas | Barra superior a 2,50 m e inferior a 1,70 m (superior ajustável em +10 cm) |
| Trave de equilíbrio | 5 m de comprimento × 10 cm de largura, a 1,25 m do solo |
| Solo | Praticável de 12 × 12 m, mais 1 m de borda de segurança |
Os 6 Aparelhos Masculinos
A ordem olímpica masculina é solo, cavalo com alças, argolas, salto, barras paralelas e barra fixa. Quatro dessas seis provas são executadas com o corpo suspenso ou apoiado nos braços, o que faz do programa masculino um teste de força tanto quanto de acrobacia.
Solo
Mesmo praticável de 12 por 12 metros do feminino, sem música. A série não pode passar de 70 segundos e precisa ter acrobacia para a frente e para trás, com saltos e giros combinados.
Cavalo com alças
O aparelho tem 115 centímetros de altura, 160 de comprimento e 135 de largura, com as duas alças separadas por 40 centímetros. A regra que define a prova é simples e brutal: só as mãos podem tocar o aparelho durante toda a série.
O ginasta gira o corpo em círculos contínuos acima do cavalo, alternando apoios entre as alças e o couro. Pernas juntas, corpo estendido e quadril alto são exigências constantes de execução.
Argolas
Duas argolas de 18 centímetros de diâmetro ficam suspensas a 2,80 metros do solo, separadas por 50 centímetros, penduradas em cabos de 3 metros presos a uma torre de 5,75 metros. É a prova mais associada à força pura.
A série alterna elementos de balanço com posições de força, e cada parada exige no mínimo dois segundos de imobilidade para ser validada. As argolas também são o único aparelho em que o ginasta nunca perde o contato com o equipamento antes da saída.
Salto
Mesma mesa do feminino em comprimento e largura, com o corredor de 25 metros por 1 metro. O ginasta corre em velocidade máxima, apoia as mãos na mesa e transforma a corrida em rotação no ar — quanto mais giros e mortais antes da aterrissagem, maior a dificuldade.
Barras paralelas
As duas barras ficam a 1,95 metro do solo, têm 3,50 metros de comprimento e são separadas por cerca de 50 centímetros — distância regulável conforme a envergadura do ginasta. A série mistura elementos de balanço com voos executados a partir do apoio, da suspensão e do apoio de braços.
Barra fixa
Uma barra de aço de 2,8 centímetros de diâmetro e 2,40 metros de largura, instalada a 2,75 metros do chão. O ginasta é obrigado a soltar e reagarrar a barra pelo menos uma vez na série, e é dessa exigência que nascem os voos que fazem da prova a mais espetacular do programa.
| Aparelho masculino | Medidas oficiais |
|---|---|
| Solo | Praticável de 12 × 12 m; série de até 70 segundos |
| Cavalo com alças | 115 cm de altura × 160 cm de comprimento; alças a 40 cm |
| Argolas | Argolas de 18 cm a 2,80 m do solo, 50 cm entre elas; torre de 5,75 m |
| Salto | Mesa de 1,20 m × 95 cm; corredor de 25 m × 1 m |
| Barras paralelas | 1,95 m de altura × 3,50 m de comprimento; 42 a 52 cm entre barras |
| Barra fixa | 2,75 m de altura × 2,40 m de largura; barra de 2,8 cm de diâmetro |
A Mesa de Salto: o Aparelho em Comum

O salto é a única prova de aparelho idêntica nos dois programas em equipamento: mesa de 1,20 metro por 95 centímetros e corredor de até 25 metros. O que muda é a altura de regulagem da mesa e o repertório de saltos executados em cada programa.
É também a prova mais curta do esporte. A execução inteira dura poucos segundos, e o julgamento avalia um único elemento — o que torna a aterrissagem parada especialmente cara, já que não há série posterior para compensar um passo em falso.
No Brasil, o salto e o solo são justamente os aparelhos que renderam o melhor resultado olímpico do país. Em Paris 2024, Rebeca Andrade foi ouro no solo, prata no salto, prata no individual geral e bronze por equipes, chegando a seis medalhas olímpicas na carreira.
O Que Cada Aparelho Exige do Ginasta
Os 10 aparelhos podem ser agrupados por qualidade física dominante. Três exigem sobretudo força de sustentação, dois cobram equilíbrio e precisão, e os demais são provas de potência e rotação aérea.
- Força de sustentação — argolas, barras paralelas e cavalo com alças: o corpo fica apoiado ou suspenso nos braços durante toda a série.
- Equilíbrio e precisão — trave e barras assimétricas: erro de centímetros custa queda, e a superfície de apoio é mínima.
- Potência e rotação — salto e solo: dependem de impulsão, velocidade de corrida e controle de giro no ar.
- Amplitude de balanço — barra fixa: a série se constrói em torno de soltar o aparelho e voltar a agarrá-lo.
Essa divisão explica a raridade do ginasta completo. Quem domina argolas raramente é o melhor do solo, porque a massa muscular que sustenta uma cruz na argola pesa contra na hora de girar no ar. Por isso o individual geral, que soma todos os aparelhos, é considerado o título mais difícil do esporte.
Cada aparelho também tem uma tabela de dificuldade própria, com elementos catalogados e valores distintos. É o que separa a nota de dificuldade da nota de execução, mecanismo explicado em detalhe no nosso guia de ginástica artística.
Quem Define as Medidas dos Aparelhos
As medidas saem das Normas de Aparelhos da FIG, documento técnico que padroniza dimensões, materiais e tolerâncias de cada equipamento. A edição em vigor é a de 2026, que revisou a versão de 2023 e passou a valer em 1º de junho de 2026.
O documento não descreve apenas o tamanho. Ele define procedimentos de teste e certificação, e só equipamento homologado pode ser usado em competição oficial. É o que garante que a trave de uma final olímpica tenha exatamente a mesma largura da trave usada no treino de base.
No Brasil, a aplicação dessas normas cabe à Confederação Brasileira de Ginástica, responsável pelos regulamentos das competições nacionais e pela seleção. Federações estaduais e clubes seguem o mesmo padrão internacional de aparelho.
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Perguntas Frequentes Sobre os Aparelhos da Ginástica Artística
Quais são os aparelhos da ginástica artística?
São 10 provas no total: seis masculinas (solo, cavalo com alças, argolas, salto, barras paralelas e barra fixa) e quatro femininas (salto, barras assimétricas, trave de equilíbrio e solo). Solo e salto aparecem nos dois programas.
Quantos aparelhos tem a ginástica artística feminina?
Quatro: salto sobre a mesa, barras assimétricas, trave de equilíbrio e solo. A ordem olímpica de competição segue exatamente essa sequência.
Qual a largura da trave de equilíbrio?
A trave tem 10 centímetros de largura, 5 metros de comprimento e fica a 1,25 metro do solo. É sobre essa faixa estreita que a ginasta executa saltos, giros e séries acrobáticas completas.
Qual a altura das argolas na ginástica?
As argolas ficam suspensas a 2,80 metros do solo, separadas por 50 centímetros, e têm 18 centímetros de diâmetro. Ficam penduradas em cabos de 3 metros presos a uma torre de 5,75 metros.
Quais aparelhos são iguais no masculino e no feminino?
Solo e salto. O praticável de solo mede 12 por 12 metros nos dois programas, e a mesa de salto tem 1,20 metro por 95 centímetros. O que muda é a altura de regulagem da mesa, o repertório de saltos e, no solo, o uso de música e o limite de 70 segundos da série masculina.
Por que o masculino tem mais aparelhos que o feminino?
Os programas foram construídos com ênfases físicas diferentes ao longo da história do esporte. O masculino concentra provas de força de sustentação, como argolas, paralelas e cavalo com alças, enquanto o feminino combina acrobacia, equilíbrio e dança em quatro aparelhos.
Qual é o aparelho mais difícil da ginástica artística?
Não existe resposta oficial, porque cada prova cobra uma qualidade distinta. O cavalo com alças é apontado como o mais técnico por permitir apenas o toque das mãos, e as argolas exigem força de sustentação com paradas de no mínimo dois segundos.
Quem define as medidas dos aparelhos?
A Federação Internacional de Ginástica, por meio das Normas de Aparelhos. A edição em vigor é a de 2026, que revisou a versão de 2023 e passou a valer em 1º de junho de 2026, definindo dimensões, materiais e procedimentos de certificação.
Fontes
- Fédération Internationale de Gymnastique — Apparatus Norms e regulamentos
- Confederação Brasileira de Ginástica



